O voto sobre o aborto

Colaboração dos Leitores Quando votaste ou legislaste oficializando o acto de eliminar a vida humana no ventre materno, não há dúvida alguma que optaste por matar o ser humano que aí vinha; isto em primeiro lugar e, em segundo lugar, assumes que te incorporas numa sociedade dissoluta, a qual já necessita deste crime para acudir a uma sobrevivência social, claramente falaciosa em adiantada decadência.

Quando és autoridade, médico ou mentor do povo e te dispões a ludibriar a própria inteligência humana e mesmo a nobreza da tua função, supostamente boa para a humanidade, jogando assim com a ignorância daqueles que, pelas mais variadas razões são vítimas da sua própria incultura e, além disso, carregados por um fardo de injustiças e repressões – também por aqueles que sendo uma parte da cumplicidade de um casal alijam a dor e as apreensões da vida para cima das mulheres, não é fácil perceber que te tornaste o traidor mais subtil do próprio direito à vida humana através do aborto humano.

Tu que até hoje não tiveste tempo nem vocação para ver na mulher além do ser maravilhoso que é enquanto companheira inestimável do homem e repositório sagrado da vida humana, ser também ela um pilar fundamental da produção e da economia do país. Em justiça e em verdade, o seu estatuto de cidadão é rigorosamente igual ao do homem; contudo, procura nos teus canhenhos, nas tuas leis, na tua noção de justiça perante ela e o bem comum, um título que, eventualmente, se possa designar por: “salários das donas de casa”. Não sendo assim, as manobras de linguagem e o simbolismo da nossa falsa justiça, de modo algum te insentam da tenebrosa cumplicidade colectiva sobre a morte dos seres vivos que vêm a morrer ao abrigo dos teus conceitos de concertação legal.

Com tudo isto suponho que o SIM ao aborto ganhará e o NÃO, perderá, naturalmente, devido simplesmente, à confusão e mesmo ao desespero de muitos. Contudo sempre há quem vote não ao aborto pelo respeito que a própria VIDA HUMANA lhe sugere, ciosos de que VIDA é VIDA e MORTE é MORTE. Ciosos de que a morte – por lei ou sem lei – dos fetos nos ventres das mães, jamais poderá trazer melhores dias à sociedade; pelo contrário, destrói essa mesma sociedade. Afinal, queiramos ou não, este gesto de aniquilar o ser humano no útero das mulheres, é mais uma forma de matar, das muitas que neste mundo se adoptam.

J. Morais,

Aveiro