A oração como caminho para a vida eterna

“A oração não é um acessório ou algo de optativo, mas uma questão de vida ou de morte. Só quem reza, quem se confia a Deus com amor filial, pode entrar na vida eterna, que é o próprio Deus”, referiu Bento XVI na oração do Angelus, no último domingo.

Comentando o Evangelho da Transfiguração de Jesus, o Papa indicou que, para um cristão, “rezar não é evadir-se da realidade e das responsabilidades que comporta, mas assumi-las completamente, confiando no amor fiel do Senhor. E é por isso que a confirmação da transfiguração é, paradoxalmente, a agonia no Getsémani”.

“Na iminência da paixão, Jesus vai experimentar toda a angústia mortal, confiando-se à vontade divina. Naquele momento, a sua oração será penhor de salvação para todos nós. Cristo suplicará ao Pai celeste que o livre da morte, e – como escreve o autor da Carta aos Hebreus – ‘foi atendido pela sua piedade’. Disso é prova real a ressurreição”.

“A oração não é um acessório, algo de optativo, mas sim questão de vida ou de morte. Só quem reza, quem se confia a Deus com amor filial, pode entrar na vida eterna, que é o próprio Deus”. E o Papa lança o apelo para que, “neste tempo de Quaresma, peçamos a Maria que nos ensine a rezar como fazia o seu Filho, para que a nossa existência seja transformada pela luz da esperança”.

Depois da recitação das Avé Marias, Bento XVI agradeceu a todos os que, na semana passada, acompanharam com a oração os Exercícios Espirituais do Vaticano (ver notícia). E deixou um encorajamento: “Encorajo todos, neste tempo de Quaresma, a procurarem o silêncio e o recolhimento, para deixar mais espaço à oração e à meditação da Palavra de Deus”.

O Papa recordou que no próximo sábado, 10 de Março, às 4 horas da tarde, na Sala Paulo VI (no Vaticano), presidirá a uma vigília mariana destinada aos universitários de Roma. Nela participarão também, graças a ligações rádio-televisivas, numerosos estudantes de outros países da Europa e da Ásia. “Invocaremos a intercessão de Maria – Sedes Sapientia, para que o Senhor mande testemunhas da verdade evangélica, para construir a civilização do amor nestes dois Continentes e no mundo inteiro”.

Ecclesia

Desejo omnipresente no nosso tempo

“O senhor cardeal ensinou-nos realmente, nesta semana, a elevar o nosso coração, a subir para o alto em direcção ao invisível, em direcção à verdadeira realidade. E deu-nos também a chave para responder dia a dia aos desafios da realidade”, afirmou Bento XVI, no final do retiro orientado pelo cardeal Giacomo Biffi (emérito de Bolonha).

“Mostrou-nos como, por detrás de tantos fenómenos do nosso tempo, aparentemente muito distantes da religião e de Cristo, está uma pergunta, uma expectativa, um desejo; e que a única resposta verdadeira a este desejo, omnipresente no nosso tempo, é Cristo”, concluiu Bento XVI.