De pater em mater

Ponta de Lança Em tempo de profundas mudanças culturais, e da raíz das mesmas, marcado pela rapidez das sucessões (as sequências de tempo continuam mecanicamente as mesmas, mas digitalmente menos pautadas – basta ter presente dois relógios, um de pêndulo, com a serenidade que a sua cadência transmite; outro digital, em que, só assinalando a fracção dos segundos, nem é necessário ir às centésimas, faz-nos acelerar o ritmo cardíaco!) e, numa semana em que alguns países ocidentais celebraram o dia do pai, com a chegada do final do segundo período lectivo e da primavera, “visitamos” a matriz do agir humano, a primeira célula de desenvolvimento social, de pater (pai) em mater (mãe)! Pater era o homem da casa, o chefe de família na Roma Antiga, que também deu a acepção património! Mater, origem de mãe, mas também de matrimónio, fonte da união e garantia conjugal.

Desfeita esta herança social, tudo o resto fica perturbado até à consolidação de outra ou outras concepções e materialização ética e moral!

E todas as convulsões que temos de experimentar, viver, são consequência desta inadaptação, desta mutação que não encontra os pontos de intersecção entre todos os protagonistas. Família, grupos (de voluntariado, de acção, desportivos,…), Escola, novas unidades de formação,… todos, todos procuram a interligação que faz de cada indivíduo um sistema transversal de relações, que o faz pessoa. Qual a responsabilidade de cada um?

Nesta fase da história humana, praticamente todos assumimos que nos devemos guiar pelo relógio digital; pela responsabilidade que temos durante alguns segundos do dia. Depois, o resto do tempo é com os outros, não interessa quem são esses outros, esse é um problema deles,… “isso agora já não é comigo, os outros que tratem, são pagos é para isso,… eu não tenho tempo! Eu também tenho direito a descanso; eu também tenho direito a divertir-me;… não tenho mais tempo”!

Mas, para além da falta de tempo, o mesmo tempo de sempre, já não há quem paute o ritmo do pêndulo, quem tenha a responsabilidade de dar corda ao relógio para que ele não se desregule ou pare!

Porque somos herdeiros de sociedades fortemente patriarcais, ainda apreciamos quem pense por nós, quem se preocupe por nós, quem nos dê a “mesada” e o subsidiozinho (o Estado, a União Europeia – cinquenta anos já no próximo Domingo!), etc.; ainda apreciamos um bom “pater”!

Mas pater, só por isso? Talvez também, quem sabe, para património arqueológico da humanidade!

E em breve estamos na Páscoa! E, segundo notícia do Público (2007-03-08), cerca de 40 mil alunos abandonam a Escola. Para onde vão se não houver quem os assuma?

Há falta de emprego, há elevados índices de casos sociais, de corrupção (não só desportiva) por sanar,… a quem compete resolver?

Cada pessoa não será pater e mater na responsabilidade colectiva?

Desportivamente pelo desporto!