Uma pedrada por semana Porque não passa o ministro da Saúde, como um desconhecido e vulgar cidadão, uma manhã inteira no acolhimento de um Centro de Saúde com movimento, para ver o que se passa, ouvir as pessoas e tentar, depois, compreender as suas vidas e necessidades? A boa vontade de quem atende e serve é, de um modo geral, manifesta. São estes que aguentam ali, a pé firme, as críticas ao sistema… Não sei se o ministro e os seus familiares, quando precisam de cuidados médicos, também vão tirar senha e esperar vez… Era bom que assim fosse.
Porque não vai a Ministra da Educação, sem que seja identificada, a uma escola com muita gente e aí veja, ouça, assista e reflicta? Professores, alunos, pessoal auxiliar, ambiente dentro e fora da escola… Como tudo é diferente, quando se está à vontade e se desabafa.
Ir como ministro, em dia acertado, com um batalhão de jornalistas, não é meio adequado para ver o que se passa. Ler relatórios, ouvir discursos, receber flores e recordações não é caminho apto para conhecer toda a realidade.
Quanto mais longe da gente concreta e da verdade, como ela se expressa, menos condições para servir as pessoas, como é seu direito serem servidas.
Almeida Camilo
