Dias Positivos Já tudo foi dito sobre o concurso que escolheu Salazar como maior português. O ditador não gostava de eleições livres, mas, com televotos militantes de protesto – segundo dizem –, ganhou uma escolha popular.
A obsessão por Salazar, excelentemente parodiada no último programa dos Gato Fedorento, revela também a pobreza do nosso ensino sobre as figuras históricas do país. Quando o Correio do Vouga pediu a dez destacados aveirenses que escolhessem “grandes aveirenses”, as respostas vieram de imediato (ver edição de 31 de Janeiro). Mas, quando o repórter saiu à rua a perguntar a meia dúzia de jovens a sua opinião, regressou de mãos vazias. Nenhum, entre jovens de liceu e da Universidade de Aveiro, foi capaz de apontar um nome sequer de aveirenses ilustres. “E aquela estátua em frente à Câmara Municipal, de quem é?”, perguntou o jornalista, numa última tentativa. “Não sei” – foi a única resposta que obteve sobre José Estêvão.
Claro que uma amostragem de rua não dá para generalizar, mas arrisco que pouco sabem os mais jovens sobre os grandes homens e mulheres da história, tanto a nível nacional como local. Parece certeira a observação do director do jornal Público (27 de Março): “Uma escola onde se ensina pouca História e onde esta é ensinada, muitas vezes, despida de factos e figuras, de heróis e vilões, de batalhas e viagens, antes cheia de ‘tendências sociais’ e ‘explicações económicas’, é uma escola onde a História perdeu o sentido da narrativa e se tornou maçadora”.
J.P.F.
