À Luz da Palavra – Domingo IV da Ressurreição Estamos no Domingo do Bom Pastor, assim designado porque todos os anos nos apresenta uma parte da alegoria de Jesus como Bom Pastor. É este, pois, o tema central da liturgia da Palavra. Celebramos, também, neste domingo, o Dia Mundial de Oração pelas Vocações.
A primeira leitura narra a reacção dos judeus e dos pagãos face ao anúncio da salvação, exposto por Paulo e Barnabé em Antioquia. O texto apresenta duas atitudes opostas diante da proposta do Bom Pastor. A primeira, é a dos judeus, “ovelhas” cheias de auto-suficiência, que, ao verem a multidão que acorria para escutar Paulo e Barnabé, se “encheram de inveja e responderam com blasfémias”, porque se sentiam donos da verdade sobre Deus e não estavam disponíveis para mudarem os seus esquemas religiosos e seguirem o Bom Pastor. A segunda, é a dos gentios, “ovelhas” atentas à voz do Bom Pastor, que, ao descobrirem a vida verdadeira, aceitam pôr-se em questão e arriscam seguir a voz do Pastor que os quer conduzir às pastagens da vida abundante. Estes dois protótipos de “ovelhas” encontram-se hoje dentro da comunidade cristã. Onde é que eu me situo? Na atitude de quem não aceita mudanças na Igreja e se acomoda a uma religião “certinha”, sem riscos, ou na atitude de quem se abre à novidade evangélica e aceita viver em constante dinâmica de conversão para uma vida em abundância?
A segunda leitura apresenta-nos a “sorte” final das “ovelhas” que seguiram o Bom Pastor: “Uma multidão imensa, de todas as nações, tribos, povos e línguas, estão de pé, diante do trono e na presença do Cordeiro, vestidos com túnicas brancas e de palmas na mão”, isto é, possuem a vida total, de felicidade sem fim. Para termos esta mesma “sorte” basta que aceitemos a proposta de Jesus e sigamos atrás dele pelo caminho do amor e da entrega das nossas vidas, com esperança. Deste modo, começamos a concretizar, desde aqui e agora, o “novo céu e a nova terra”, que hão-de ser definitivos no Além.
O evangelho mostra-nos Cristo, o Bom Pastor, que deu a vida pelas suas “ovelhas” para lhes oferecer a plenitude da vida. As “ovelhas” são chamadas a escutar o Pastor e a acolher a sua proposta de vida, seguindo-o. Sabemos nós distinguir a voz deste Pastor das muitas outras vozes que nos sussurram promessas falazes e caducas? Todos sabemos que isto não é fácil, no nosso meio e no nosso mundo, e que exige de nós uma especial atenção ao Espírito que, na oração, nos ajuda a discernir as “vozes” que escutamos. Também a nós, cristãos, o Bom Pastor envia pessoas que nas comunidades presidem e animam a nossa vida de fé, de esperança e de amor. Hoje somos convidados a orar por essas pessoas, homens e mulheres, que disseram “sim” ao apelo do Bom Pastor, no ministério sacerdotal e na vida consagrada, para que respondam com alegria à sua maravilhosa missão de tornarem o Evangelho vivo. Pedimos, ainda, ao Bom Pastor que continue a enviar novos trabalhadores para que na Igreja não faltem vocações, em particular as de especial consagração ao serviço do Reino de Deus.
Domingo IV da Páscoa: Act 13,14.43-52; Sl 99 (100); Ap 7,9.14b-17; Jo 10,27-30
