O mesmo aconchego…

Olho de Lince Acabara de começar a celebração. Discretamente, entra um pai “babado”, que guarda no seu colo o rebento de poucas semanas, como quem aconchega ao peito o mais precioso tesouro. Fica-lhe bem! É bonito e edificante!

Mas foi vencido no minuto seguinte. Agora, entra o adolescente dos seus onze ou doze anos, mais “babado” ainda com o irmãozinho, também de poucas semanas, que veio um pouco “atrasado” e que, no entender de alguns, poderia perturbar a estabilidade daquela família, a qual, já com dois filhos, estaria bem para os tempos de hoje.

Dado o parentesco dos recém-nascidos, o miúdo coloca-se a par do tal pai “babado”. Sem palavras e sem gestos, ali estava um diálogo perfeito: colos diferentes, crianças diferentes, responsabilidades diferentes… Mas o mesmo carinho, o mesmo aconchego, o mesmo apreço pela vida frágil dos dois bebés. Não podia ficar indiferente a esta proclamação silenciosa do amor que gera e faz crescer.

Q. S.