“Não intervir é pecar”

D. Carlos Azevedo no encerramento da Semana de Pastoral Social Coube a D. Carlos Azevedo encerrar a Semana de Pastoral Social. O bispo auxiliar de Lisboa e secretário da Conferência Episcopal Portuguesa traçou o perfil de “cinco figuras da necessidade de ser fiel a cada tempo” e apontou “caminhos de inovação” na acção social dos cristãos.

Há cinco figuras da história da Igreja – Martinho de Tours, Basílio Magno, Francisco de Assis, Vicente de Paulo e Teresa de Calcutá –, entre muitas outras, que são “modelos que deixaram falar o amor nas circunstâncias do tempo”. Bento XVI a elas se refere na encíclica “Deus Caritas Est”, que serviu de inspiração para a comunicação de D. Carlos Azevedo.

Martinho (séc. IV) ensina que “na formação cristã há que valorizar a caridade”. Basílio (séc. IV), criando uma cidade hospitalar, sublinha a “corresponsabilidade de todos os cristãos”. Francisco de Assis (séc. XII-XIII) representa a luta contra o materialismo e o consumismo e mostra que “ao lado da fraternidade há alegria”. Vicente de Paulo (séc. XVII), com o seu “capital aliado à graça”, revela que “a dedicação aos pobres implica a valorização da formação de consciências”. Por fim, Teresa de Calcutá (séc. XX), que “fez a sua íntima felicidade a enxugar quantas lágrimas pôde”.

Inovação na caridade

Na segunda parte da intervenção, D. Carlos Azevedo apontou cinco caminhos de inovação, esclarecendo, no entanto, que, “mais do que teorias, há rostos”. “O Evange-lho tem a ver com economia, sociologia e política. [Mas] a intervenção na realidade é consequência da fé. Com ou sem apoios do Estado, não podemos deixar de intervir”, afirmou.

Resumimos os “caminhos de inovação” da acção social inspirada pelo cristianismo.

1. Não intervir é pecar. Há silêncios, recusas, desconhecimentos que fazem o jogo da maldade. Ser neutro é já estar de um lado. O cristão tem de estar do lado de Deus. Intervir é entrar no processo, na proximidade que transforma.

2. A intervenção é orquestral, exige coordenação. Identifica os perigos. Submete-se a programas. E sujeita-se a avaliações.

3. Estar no terreno implica uma mística. As coisas levam tempo. Surgem frustrações. Há tempo de purificação. Mas acabará por brotar a ternura, a alegria, o júbilo.

4. Crença num futuro diferente. A fé abre para o futuro. É preciso apresentar outros estilos de vida, dar testemunho de esperança.

5. Qualidade de vida. Que tipo de qualidade de vida sugerem os cristãos? A experiência de Deus é (tem de ser) contagiante. “Aprendemos a amar em Deus e na força do Evangelho”. “Há que dar razão ao Crucificado e não ao que crucifica”.