Quem tem Moral, tem festa

O Inter-escolas assume-se como a grande festa dos que na escola optam por ter a disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica. Em Albergaria-a-Velha, estiveram 1300 jovens, na sétima edição deste encontro.

Da Torreira a Anadia, de Sever a Calvão, todos os caminhos conduzem alunos e professores de EMRC a Albergaria-a-Velha, para uma grande jornada de convívio e mensagem, no dia 11 de Maio.

Depois do almoço, no relvado entre as piscinas e o pavilhão gimno-desportivo, toda a gente participa nas actividades, que tanto podem ser jogos populares, como dança hip-hop, pintura ou partilha de ideias, como no ateliê “Famílias com vida”.

Idalina Vieira, pela primeira vez no Inter-escolas com os seus alunos da Branca, deixa-nos as suas impressões: “Está muito bem organizado. A diversidade de actividades vai ao encontro de todos os tipos de gostos. Achei muito pedagógico o ateliê “Famílias com vida”, onde são apresentados vídeos sobre a defesa da vida e uma sequência de casos para questionar as nossas opções. A mensagem evangélica é transmitida de maneira airosa e profunda”. Pedro Ferreira, com 16 alunos da Torreira, tem opinião semelhante: “Os meus alunos andam muito animados. O espaço é muito bom e há uma grande diversidade de actividades. Está a ser o melhor Inter-escolas”.

Durante a manhã, os alunos construíram a “árvore da família”, com desenhos, e mensagens e assistiram a um teatro sobre as dificuldades de comunicar em família. E houve um espaço para testemunhos. A aluna do 12º ano Salomé, de Aveiro, falou da importância da EMRC na sua vida, enquanto José Aidos, presidente da Associação de Pais do Agrupamento de Escolas de Albergaria-a-Velha, sublinhou que não dispensava a EMRC na educação dos seus filhos. “É importante que os pais continuem a aproveitar esta oferta da Escola e da Igreja, pois considero um investimento na educação e formação de valores dos nossos filhos, não só com resultados imediatos mas com repercussões ao longo da vida”, disse.

D. António Francisco, Bispo de Aveiro, lembrou a importância destas aulas para a vida cristã e disse aos jovens que a Igreja conta com eles.

Com o encontro a caminhar para o final, o ambiente de festa deixa perceber que, de facto, há gosto na participação. “Há muita gente, muito entusiasmo, e o tempo [de sol] também ajuda”, refere Pe Costa Leite, professor de EMRC na localidade anfitriã. “Os jovens sentem que não estão sós. O contacto com outras escolas permite alcançar outra dimensão da disciplina. Não somos tão poucos quanto às vezes se faz crer”, acrescenta. Segundo este sacerdote, “talvez valesse a pena pensar num encontro num dia em que não houvesse aulas, para toda a gente poder estar presente”. Nos moldes actuais, o Inter-escolas tem de ser inscrito no programa anual de actividades da disciplina, no início do ano, o que, de alguma forma, limita a participação das turmas.

O encontro foi promovido pelo Secretariado Diocesano da Educação Cristã, mas a sua realização esteve dependente dos professores de EMRC de Albergaria-a-Velha. Isabel Santos liderou o grupo e não podia estar mais satisfeita, apesar de cansada: “Valeu a pena todo o esforço. Os miúdos vão felizes. Vão radiantes. «Já vamos embora?» Se os autocarros não estivessem à espera, ficavam por aí”.

Solange, 17 anos, Calvão

Faço parte do grupo de teatro do Colégio de Calvão, que representou de manhã a peça “Komunicar tb dpend d ti”. Na peça, eu era uma filha que tinha incapacidade de comunicar. A certa altura fico numa redoma de espelhos, fechada sobre mim própria. No final consigo libertar-me. Descobro que o diálogo começa em cada um de nós.

Márcia, 13 anos, Albergaria-a-Velha

Está a ser muito fixe este Inter-escolas. Gostei muito do teatro sobre a família e a amizade e estou a gostar de ver os jogos tradicionais. Na piscina [da plástico, montada no meio da relva], dois alunos estão a ver quem apanha mais lagostins. Está a ser muito divertido.