“Foi óptimo ver o Papa sorrir”

Três perguntas a… Pe. Pedro José, Missionário no Brasil A propósito da viagem apostólica de Bento XVI ao Brasil, o Correio do Vouga colocou por e-mail três questões ao Pe Pedro José Lopes Correia, sacerdote da Diocese de Aveiro a trabalhar como missionário no Maranhão.

Correio do Vouga – Como viveu o povo a viagem do Papa ao Brasil?

Pe Pedro José – O povo viveu com fé, euforia e curiosidade, despertada e aumentada pelos meios de comunicação social (tv, rádio, jormais…). Eu vivi com fé, sem euforia e sem curiosidade… (abro parenteses, a “sentença” sobre o teólogo Jon Sobrino deixou-me fora de órbita – já escrevi até sobre isso numa tentativa de blog que tenho na net…)* Porquê a diferença? Mantive o meu lado institucional sob domínio, pois não podia privar o povo da riqueza que é uma “viagem apostólica” (ver o livro dos Actos dos Apóstolos, como modelo…). Falei nas homilias no papado (mais ao jeito de Paulo, do que de Pedro…), aproveitei a “onda”, porque é preciso levantar a auto-estima da fé, em níveis controlavéis…

A viagem teve reflexos aí no Maranhão (Nordeste do Brasil), tão longe de S. Paulo (Sul)?

A nossa diocese não brilha por uma organização eficiente e, por isso, não sei de nenhuma representação de padres ou jovens, nas diversas iniciativas do programa. Tudo na era global tem “impacto” mediático; e isso foi motivo de conversa de rua… Vi o Dr. José Sarney – político polémico no Estado do Maranhão – cumprimentar a mão do Papa e fiz os meus comentários “apimentados” (ponto final). Ele é um chefe de Estado (!? risos…), dum Estado em que ele não é o big-chefe… Mais reflexos: escolho um que acho exemplar: na nossa lojinha paroquial, que vende terços, catecismos, livros, já pediram imagens de Frei Galvão, o novo santo genuinamente brasileiro… É o início e o fim de muitas conversas pastorais que podem imaginar!

Que importância teve a viagem para a Igreja Brasileira? Esperança? Combate às seitas? Reforço do catolicismo, como foi dito pela imprensa?

O diagnóstico antes da visita do Papa sobre esses assuntos há muito tempo está feito pela Igreja Brasileira e por outros intelectuais estudiosos, bem queridos e mal queridos… Li a maioria dos escritos de Leonardo Boff [teólogo da libertação], na net, e concordo com tudo na substância… Continua a escrever com 50 anos de avanço tudo o que estava dito. Mas palavra de Papa faz “terramotos e ressuscita os desocupados”. Houve polémicas, porque o papa falou sobre a decisão política e a questão do aborto, contra o ministro da Saúde, que reduz a questão ao domínio da saúde sanitária (e todas as mentes que pensam com racionalidade sabem que é uma questão de fundamentos da VIDA… e é a sua defesa que está em causa…); o padre Marcelo Rossi, não foi recebido em audiência particular, e parece que tinha manifestado interesse nisso… Pequena polémica que ele, Marcelo, não ampliou…

Foi óptimo ver o papa sorrir. Só por isso sugiro que ele passe 15 dias das suas férias, cada ano, aqui Brasil… Uma estadia em regime económico, uma vez que esta visita foi orçamentada em 1,2 milhão de dólares… (mais risos…). Vai fazer bem à Igreja e ao próprio Papa. Que ele não leve a sério este conselho tonto; mas teria matéria suficiente para escrever uma encíclica sobre os pobres, a partir dos pobres mesmo!

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