A melhor dádiva de Cristo à Igreja

À Luz da Palavra – Domingo de Pentecostes O Espírito Santo, dom de Deus a todos os crentes, é o tema deste Domingo. O Espírito dá vida, renova, transforma, constrói a comunidade e faz nascer o Ser Humano Novo.

O evangelho apresenta-nos a comunidade cristã, reunida à volta de Jesus ressuscitado. Para João, esta comunidade passa a ser uma comunidade viva, recriada, nova, a partir do dom do Espírito. É Ele que permite aos crentes superar o medo e as limitações e dar testemunho desse amor que Jesus viveu até às últimas consequências. É este o grande dom do Pentecostes, palavra grega que significa quinquagésimo dia depois da Páscoa. Não poderia ter sido melhor a dádiva de Jesus Cristo à Igreja e ao mundo, qual nova criação, nascida da Páscoa. O Espírito Santo é o agente dinamizador de toda a acção evangelizadora desenvolvida por cristãos leigos e ministros ordenados.

Na primeira leitura, Lucas sugere-nos que o Espírito é a lei nova que orienta a caminhada dos crentes. É Ele que cria a nova comunidade do Povo de Deus, que faz com que os homens e mulheres sejam capazes de ultrapassar as suas diferenças e comunicar entre si. É Ele que une, numa mesma comunidade de amor, povos de todas as raças e culturas. Hoje, a nossa história colectiva está profundamente marcada pela presença do Espírito, quer dela tenhamos consciência, quer não. São numerosos os movimentos e comunidades de renovação espiritual e das estruturas humanas, que nascem e se desenvolvem por acção do Espírito. São inéditos os grupos de solidariedade, a todos os níveis, dentro e fora das comunidades cristãs, por obra do mesmo Espírito. São diversificadas as descobertas científicas, em todos os domínios, que, quando orientadas para o bem, revelam a presença criadora do Espírito Santo.

Na segunda leitura, Paulo informa-nos que o Espírito é a fonte de onde brota a vida da comunidade cristã. É Ele que concede os dons que enriquecem a comunidade e que fomenta a unidade de todos os membros. Por isso, esses dons não podem ser usados para benefício pessoal, mas devem ser postos ao serviço do bem comum. Todos somos portadores e agentes do Espírito. Ele, origem de unidade e de diversidade, é o elo de união e o princípio radical de igualdade e de corresponsabilidade de todos os membros do Povo de Deus, na construção da Igreja e do Reino. Há diversidade de funções, mas é o mesmo Espírito que actua em cada um e em todos. Só num espaço de liberdade, de criatividade e de respeito mútuo é possível construir a obra de Deus, no mesmo Espírito. E que ninguém se atreva a extinguir o fogo do Espírito, que leva cada crente a acender na terra a luz fulgurante do Amor! Porque Ele acciona quem quer, onde quer e como quer. É tão ágil e inventiva a sua acção, que na Bíblia é assemelhada ao vento invisível, penetrante e fecundo. Por isso, ninguém a pode nem deve deter.

Domingo de Pentecostes: Act 2,1-11; Sl 104 (103); 1 Cor 12,3b-7.12-13; Jo 20,19-23

Deolinda Serralheiro