À Luz da Palavra – XI Domingo Comum – Ano C O tema central da Palavra deste domingo é a realidade humana do pecado e a atitude divina do perdão. A atitude de amor por parte da pessoa que peca é condição essencial para obter o perdão de Deus. As leituras falam-nos, cada uma a seu jeito, de pecadores concretos, tanto do Antigo como do Novo Testamento, e do único e eficaz meio de perdão e de libertação.
Na primeira leitura, é-nos relatada a reacção de Deus ao pecado cometido pelo grande rei David. Certamente que este não foi o seu único pecado. Contudo, pelos contornos de maldade e de gravidade que reveste, esta atitude pecaminosa de David não pode ficar sem uma severa repreensão de Deus, para bem do próprio rei e do seu povo. “Como ousaste desprezar a palavra do Senhor? Mataste Urias e tomaste como esposa a sua mulher”. David, porém, reconhece que pecou e logo recebe a certeza do perdão de Deus. “Não morrerás”.
Na terceira leitura, Lucas fala-nos do belo encontro de Jesus com uma pecadora que vivia na cidade. O seu nome nem sequer é mencionado. Jesus, porém, vendo que esta mulher supera todas as barreiras físicas e sociais para dele se abeirar e chorar os seus muitos pecados, com gestos de ternura e amor, diz-lhe cordialmente: “Os teus pecados estão perdoados. A tua fé te salvou. Vai em paz”.
Na segunda leitura, Paulo sublinha que é a nossa fé em Jesus Cristo que nos torna justos, isto é, ilibados das nossas culpas. Mesmo vivendo numa natureza pecadora, posso estar animado pela fé no “Filho de Deus que me amou e se entregou por mim”. No fundo, quando nego a existência de pecado na minha vida, manifesto à evidência, que não estou suficientemente informado sobre a Pessoa de Jesus Cristo e do valor da sua missão redentora. Sem uma sólida e profunda formação cristã, o meu coração torna-se um terreno bravio, onde cresce toda a espécie de crendices e, sem convicções, torna-se volúvel e apto a absorver toda a informação, sem critérios de discernimento entre o bem e o mal. Tudo é válido, desde que me apeteça, diz-me a nossa cultura em profunda crise, geradora de cepticismo sobre os próprios fundamentos do conhecimento e da ética. Será que, ainda hoje, podemos falar de pecado e de perdão? Para muitos dos nossos contemporâneos a palavra “pecado” está excluída do seu dicionário existencial. Ora, se não há pecado, também não há necessidade de perdão. Com a crescente incapacidade para diferenciar o bem do mal, gera-se, nas consciências nascentes e naquelas que ainda não acederam a uma autonomia ética, uma séria confusão de valores. Daí a dificuldade em reconhecer o pecado pessoal e social, numa sociedade impregnada de materialismo prático e onde o eclipse do sentido de Deus e do ser humano parece ter-se instalado. Estou convicto de que devo estar em permanente formação cristã como exigência da minha pertença a Jesus Cristo?
XI Domingo Comum: 2 Sm 12,7-10.13; Sl 32 (31), 1-2.5.7.11; Gal 2,16.19-21; Lc 7,36-8,3
Deolinda Serralheiro
