Crianças “invadiram” Fátima

A Peregrinação das Crianças congregou, este Domingo, no Santuário de Fátima, 25 000 meninos e meninas vindos de todo o Portugal. Pela primeira vez, um grupo estrangeiro de crianças, neste caso da Áustria, participou nesta peregrinação, que contou com um total de 130 mil participantes (crianças e adultos).

Presidiu a este encontro de alegria, oração e festa, que teve este ano uma das maiores participações de sempre, o Bispo de Leiria-Fátima, D. António Marto.

Ainda que no início das celebrações a chuva obrigasse as crianças a resguardarem-se nas Colunatas, no momento da celebração da Eucaristia a chuva parou e as crianças puderam ocupar o lugar que lhes estava especialmente reservado, a escadaria do Recinto.

Muitos outros meninos e meninas, alguns ainda bebés, estiveram junto dos seus familiares, na grande massa humana que quase encheu o Recinto de Oração.

No momento final, foi oferecida a todas as crianças a tradicional “surpresa”, que este ano foi o livro “A Visita da Senhora do Rosário”, editado propositadamente para esta iniciativa.

Esta peregrinação marca a diferença relativamente às outras realizadas no Santuário, uma vez que todos os aspectos são preparados e vividos a pensar nas crianças. Tam-bém a homilia foi totalmente dedicada aos mais novos. Nela, D. António Marto recordou as aparições em 1917 e, com o exemplo de vida dos Pastorinhos videntes, convidou as crianças a serem colaboradoras de Deus.

“Notai bem que as crianças são muito importantes para Deus. (…) Quero que graveis na memória e no coração: Vós sois muito importantes. Deus conta convosco e espera muito de vós. Quer que sejais colaboradores dEle para tornar o mundo melhor: mais belo, mais fraterno, mais justo, mais santo e, por isso, cheio de paz, onde não haja divisões entre os homens e os povos. Vós sois a ternura do mundo”, afirmou o bispo, interagindo com as crianças, que espontaneamente batiam as palmas.

D. António explicou às crianças que o “SIM a Deus e aos Irmãos” representa o “SIM ao amor” e que esse “Sim” deve significar, na actuação dos mais novos, “o respeito pelos outros, na família e na escola”, e implica “ajudar todos os que precisam de nós, em qualquer circunstância, ao longo da vida” e “ser capaz de partilhar com os outros as nossas alegrias e as nossas tristezas, (…) repartir com os outros, em especial com os que têm menos”.

“O amor é o mais belo presente de Deus, que poderemos oferecer aos outros, todos os dias da nossa vida”, conclui o prelado.

Foi neste espírito que, no momento da oração dos fiéis, pela voz de algumas crianças, todos rezaram por todas as famílias e povos do mundo, pelos casais que não se entendem, para que descubram a paz, pelo fim da guerra e pelo amor nos corações, pelos doentes e abandonados e pelas crianças que gostariam de poder participar na Peregrinação a Fátima e que o tinham podido fazer.

Leopoldina Simões / CV