Poço de Jacob Toda a água é viva. Água morta não existe, mesmo estagnada e cheia de bactérias. Até o Mar Morto não é morto, porque tem vida dentro dele. A Água pode servir, ou não, para matar a sede ou lavar, conforme as suas circunstâncias. Mas ela é vida. Ela gera vida. Ela alimenta a vida. Ela é fonte de vida. Por isso, Jesus usa-a no Baptismo, na Eucaristia e do Seu peito aberto sai sangue e Água, dois princípios bíblicos de vida. Não seria, pois, um exagero falar de água viva? A Samaritana pensou logo num sistema prático de abastecimento. Jesus jogou com o múltiplo sentido das palavras e com os sentimentos mútuos de sede, de beber… e permitiu que ela explorasse a sua realidade, enquanto mulher que vai ao poço, até elevá-la à compreensão de si mesma. Ele tinha sede e ela também. Ele tinha água e ela também. Ele pediu-lhe de beber, e ela a Ele. Falavam nos mesmos termos, mas ela não tinha subido à transcendência dele, apesar de Ele descer à realidade material dela. Ele sabia que ela precisava de Água para a sede e para isso deu-lhe o POÇO DE JACOB, enquanto Deus Criador. Porém, a sede de outra água e de outras praias não podia ela abafar por muito tempo, na agi-tação do mundo, como fazem tantos homens. As duas águas não dispensam o POÇO nem o esforço de desejar a água que nele há. Se para a água material ela tinha de se pôr a caminho do poço, mesmo cansada e atarefada, para a ÁGUA VIVA ela teria de deixar Deus chegar até ela e mudar-lhe a estrutura da mente e do coração, numa verdadeira conversão. Tinha de ir até ao fundo do seu coração e deixar-se amar por Deus, para Ele mostrar que a fonte não estava no POÇO DE JACOB mas no coração dela. Tinha que perceber que, mesmo sendo samaritana, poderia ser uma nova mulher, sem precisar do marido que não era seu. Era desse coração que Jesus queria água, quando lhe disse: “Dá-me de beber”. Quando ela descobriu isso, não deixou de ter sede em todas as suas formas, mas sentiu o que Cristo diria um dia: “Do coração daquele que acredita em mim, brotarão rios de água viva”.
Que esperas tu, para deixar jorrar esta Água?
P.e Vitor Espadilha
