Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro Está a decorrer, até 30 de Outubro, em vários espaços da cidade, a VII Bienal Internacional de Cerâmica Artística de Aveiro. Na apresentação, Pedro Ribeiro da Silva, vereador da Cultura da Câmara Municipal de Aveiro, sublinhou o carácter policêntrico da Bienal. Ver as cinco exposições é igualmente visitar cinco edifícios emblemáticos de Aveiro. “Esta estratégia de relacionamento arte-espaço traduzirá, indubitavelmente, uma maior cumplicidade entre o visitante da exposição, o habitante da cidade, os espaços públicos e os equipamentos de referência patrimonial, histórica e arquitectónica, que constituem a paisagem urbana da cidade”, escreve Pedro Ribeiro da Silva, no catálogo da Bienal. Estão em exposição 50 obras, de 42 artistas, provenientes de nove países. Os cinco locais estão abertos de segunda a domingo, das 14 às 20h.
Antiga Capitania do Porto de Aveiro
Edifício construído em 1830, para funcionar como fábrica de moagens de José Pinto Basto, fundador da Vista Alegre. As moagens eram accionadas por moinhos de maré e depois por máquina a vapor. Foi escola industrial nos fins do séc. XIX e serviu de habitação até ser vendida ao Ministério da Marinha, em 1925, que aí instalou a capitania.
Uma obra: “Alice Dança com o coelho”. Autor: Anisabel. Materiais e técnica: Grés, porcelana e bolas de basalto branco, cozedura a 1250º C.
Claustros da Santa Casa da Misericórdia
Julga-se que a Misericórdia de Aveiro surgiu em 1498, quando as principais vilas e cidades do reino responderam ao apelo de D. Manuel. Igreja, salas e claustro, com projecto do arquitecto portuense Gregório Lourenço, foram inaugurados em 1609. A igreja da Misericórdia foi a primeira Sé de Aveiro.
Uma obra: Tensão. Autor: Vamelo. Técnica: Modelação e conformação de lastras de barro chamotado. Velatura de ósixo de manganês.
Galeria dos Paços do Conselho
O edifício dos Paços do Conselho, desde o início sede do poder municipal, foi inaugurado em 1797, como mostra uma placa no próprio edifício. Porém, na altura, tinha outra valência. O piso térreo, onde está actualmente a galeria, serviu em primeiro lugar como prisão.
Uma obra: Água de todos nós – Instalação. Autor: As Seis do Barro. Técnica: Modelagem escultórica com placas e formas de gesso. Materiais: Argilas brasileiras, óxidos de ferro, cobre e manganês.
Salão Nobre do Teatro Aveirense
O Teatro Aveirense foi inaugurado em 1881 pela Companhia do Teatro Nacional de D. Maria II. Sofreu grandes obras no final dos anos 40 e foi adquirido pela Câmara Municipal em 1998. Em Junho de 2000, fechou portas para obras de modernização. Reabriu em 23 de Outubro de 2003.
Uma obra: Sensações. Autor: João Costa Gomes. Técnica: Modelação e lastra. Materiais: Barro vermelho e barro branco, pregos e óxidos.
Centro Cultural e de Congressos de Aveiro
A Jerónimo Pereira Campos foi fundada em 1896 para fazer tijolo e telha “tipo Marselha”. As actuais instalações foram foram construídas após a I Guerra Mundial e recuperadas na década de 1990, depois do abandono da fábrica.
Na Sala 1 do CCC está “O Beijo da Água”, dos espanhóis Mariano Poyatos, vencedor da Bienal anterior, e José Beas. Os canais de irrigação das montanhas de Valência inspiraram “uma história de amor entre o ser humano e a água” – diz Poyatos –, que revela “a perda de comunicação entre as pessoas”.
