A cana rachada e a mecha que fumega

Uma pedrada por semana Uma advertência evangélica, sempre actual porque cheia de sabedoria, recomenda que não se acabe de quebrar a cana já rachada, nem se apague, de vez, a mecha que ainda fumega. O mesmo é dizer, que não se mate para sempre aquilo que ainda tem vida. Do um se pode ir ao milhão e até ultrapassá-lo. Do zero, porque é nada, nada se pode esperar.

Definitivo só o amor de Deus por cada um de nós. Tudo o que recebeu vida está em processo de crescimento e de solidez, que não pára mais, enquanto a vida se mantém. Não pára, porque não somos apenas corpo físico e matéria. Outras vertentes povoam a nossa vida, que não têm igual sujeição ao tempo. A sua força é garantida e dinamizada por realidades que nos superam. Podemos crescer e ganhar qualidade, até nos atritos e nos choques com os outros.

Todos frágeis, mas todos com vocação de fortes e de vencedores. Frágeis e fortes, sempre e até ao fim. Só é vencido quem se vê mal a si próprio, quem desiste do projecto pelo qual optou livremente. Só é vencido quem se julga só e risca do seu horizonte os outros companheiros de jornada, empobrecendo deste modo a verdade do seu ser e do seu viver. Só é vencido, quem olha mais as dificuldades do caminho, que a enorme riqueza de lhe ser fiel e de o andar até ao fim.

Há caminhos sem regresso, tanto para casados como para consagrados ao serviço do Reino. São os que livremente se traçaram com Deus a iluminá-los, e em que Ele se fez companheiro do mesmo peregrinar. São os determinados por uma opção de vida que ninguém pode fazer por outro.

Caminhos sempre abertos, porque Deus não inverte rumos, nem se dá por enganado nos antes traçados com Ele.

Há fragilidade que resulta em vida, e fragilidade que resulta em morte. Cada um leva consigo o segredo do seu êxito ou da sua derrota. Mas todos podemos ajudar a que o êxito seja vida e a vida seja permanência e fidelidade ao projecto inicial.