A cidade não esquece o sacerdote, músico, professor universitário

Homenagem ao Pe Arménio “Quem conheceu o Pe Arménio possa recordá-lo; quem não o conheceu possa perguntar quem foi este homem, e nós poderemos responder que marcou a cidade”. As palavras são de Élio Maia, momentos antes do descerramento da placa com o nome do Pe Arménio Alves da Costa Júnior, na rotunda do Centro Cultural e de Congressos de Aveiro. A rua, que aí começa e termina na Avenida 5 de Outubro, tem, desde o dia 4 de Julho, o nome do sacerdote de Aveiro. Nesse dia, o Pe Arménio, falecido no dia 15 de Fevereiro de 1997, completaria 73 anos.

Numa tarde cheia de elogios, o presidente da Câmara Municipal observou que o homenageado, “mais do que obra, deixou o exemplo de disponibilidade e serviço, mostrou a força que a fé tem. Tudo o que é conquistado pelas armas desaparece. O que é conquistado pelo exemplo permanece.”

Antes do descerramento da placa toponímica, houve uma celebração eucarística na Sé de Aveiro, presidida pelo Bispo da Diocese, e uma sessão solene, no Centro Cultural e de Congressos, com a actuação dos coros da Vera-Cruz e de Santa Joana – ambos fundados pelo sacerdote homenageado – e intervenções de Fernando Marques (presidente da Junta de Freguesia da Glória), Domingos Peixoto (pela Universidade e pelo Conservatório de Aveiro), Fernando Oliveira (advogado, amigo do sacerdote), e Pe Valdemar Costa, irmão do Pe Arménio, que, em nome da família, agradeceu a homenagem que a cidade prestou à sua memória.

O presidente da Junta de Freguesia da Glória realçou as qualidades do padre que teve “oportunidade e felicidade” de conhecer: “A sua disponibilidade para todos, a sua inteligência perspicaz, o seu fascinante poder de comunicação, a alegria contagiante e o gosto pela vida, e muito especialmente a sua capacidade de se ligar aos jovens”.

Domingos Peixoto, talvez na intervenção mais curiosa, lembrou que o Pe Arménio, aluno e professor do Conservatório Calouste Gulbenkian, “pregava através da sua presença” e tinha uma “obsessão [comum ao interveniente] pelos órgãos de tubos”, tendo restaurado o da Vera Cruz, o da Glória e o do Coro Alto do Museu. Arménio Costa desejava ainda restaurar o da Igreja das Carmelitas e construiu o do Seminário de Santa Joana. Este professor universitário relatou ainda um episódio bem elucidativo da popularidade do Pe Arménio em Aveiro. Um dia, encontraram-se os dois às portas do Museu de Aveiro, para irem à Igreja da Vera Cruz. Pelo caminho, o Pe Arménio encontrou, cumprimentou e falou com tanta gente que, quando chegaram às Pontes, a meio do caminho, tiveram de regressar, pois o tempo previsto para a visita tinha-se esgotado e estava na hora de outros compromissos.

D. António Marcelino, na Eucaristia, realçou as capacidades do Pe Arménio. “Por muito que pense não encontro nenhuma área em que o Pe Arménio não desempenhasse as suas funções com enorme talento (…). Por onde passou, nas paróquias, no Liceu de Aveiro, no Seminário, na Universidade, marcou aqueles com quem contactou, mesmo os que perderam a ligação à Igreja. Da Universidade, diziam-me: «Por favor, não nos tire o Pe Arménio», porque sentiam que era importante como “conciliador”, disse, acrescentando que, na progressão académica, sempre o sacerdote pediu consentimento ao Bispo de Aveiro para dar um novo passo na sua carreira.