5) Pastoral da celebração pascal
Na nossa prática habitual parece existir um paradoxo: depois de preparar com notável esforço pastoral, durante a Quaresma, a grande celebração pascal, passada a Vigília e o primeiro domingo da Páscoa, parece que entramos na normalidade de todos os domingos do ano. Que fazemos na Cinquentena Pascal? Que fazemos da grande festa cristã que deveria prolongar-se durante sete semanas?
Há que preparar o Tempo da Páscoa. Sabemos isso muito bem. Mas é difícil, porque sempre foi um tempo bastante abandonado, porque as características da nossa vivência cristã não o propiciam, porque o tempo corre depressa e, de repente, estamos no Verão e as pessoas começam a aproveitar os domingos para sair…
Mas também sabemos que este é o tempo central do ano cristão. Por isso, seria bom que se tivesse em conta a importância deste tempo central da vida cristã e se desse sinal disso na celebração, no adorno do templo, etc.
Aqui se propõem alguumas sugestões concretas:
6) A ambientação das celebrações
Para que se veja que estamos a celebrar algo importante, é decisiva a imagem, tanto visual como auditiva, que se der à igreja em que nos reunimos. Não desprezemos os sinais. É necessário valorizá-los, e muito mais na nossa cultura actual. Uma celebração pascal pede sinais festivos.
* Tantas flores quantas seja possível (o mesmo quanto à iluminação: Páscoa é luz), mais que nos casamentos. Porque não pedir às pessoas que ofereçam flores?
* A música: vale a pena que neste tempo, quando as pessoas entram na igreja sejam acolhidas por um fundo musical (em directo, por meio do orgão ou do armónio ou, então, por música gravada).
* Enfeitar a ábside com um mural de cores vivas que destaque o tempo que celebramos.
* Que o átrio da igreja seja, em cada domingo, enfeitado com um mural ou um cartaz, ou alguma fotografia e frases da liturgia do dia.
* Prestar atenção ao conjunto estante-círio pascal: que o círio esteja sempre adornado com flores e a estante coberta com um pano branco, e colocar próximo dela a água para a aspersão, por exemplo.
7) O estilo das celebrações
* Fazer a aspersão da água em cada domingo e em todas as missas, em vez do acto penitencial. Para que não pareça um rito mágico, é necessário: apresentá-lo como recordação pascal do baptismo; torná-lo muito significativo, passando até ao final da igreja; se parecer oportuno, entretanto, cantar um cântico adequado (um cântico pascal ou baptismal).
* Cantar; cantar muito, e cantar cânticos pascais. O aleluia deveria ressoar com frequência (explicando-se o sentido desta palavra), não só na aclamação do evangelho, como usando cânticos que o contenham.
* A pregação. É sempre mais fácil pregar para que as pessoas “se convertam” que pregar para que vivam a alegria da salvação. Seria necessário: a) interiorizar as leituras destes dias (Actos, Pedro, João), meditando-as pessoalmente e descobrindo a riqueza que contêm; 2) fazer todo o esforço para que os cristãos vejam reflectido nelas tudo quanto para eles é vida: desde os campos verdejantes até às realidades de família, de trabalho, de bairro, de lugar, etc.; desde a vida sacramental da comunidade Igreja até ao anúncio do Evangelho, desde a vida pessoal de cada um…
* Destacar a Oração Eucarística, cantando cada domingo, se possível, o prefácio (ou, ao menos, o diálogo inicial), a aclamação da consagração e a doxologia final. E que o celebrante proclame toda a Oração Eucarística com a conveniente expressividade.
* E mais algumas coisas: o Credo em forma de perguntas, usando a fórmula baptismal, em cada domingo; fazer a procissão de oferendas; escolher a bênção solene.
8) Um tempo sacramental
Embora, possa parecer complicado, haveria que dar o devido e justo relevo às celebrações sacramentais como: baptismos, confirmações, primeiras comunhões e unção dos doentes, muito particularmente, têm este tempo como o mais oportuno para expressar o que são e a sua participação muito mais clara no mistério pascal do Senhor Jesus.
Este tempo pode propiciar, sem dúvida, uma boa oportunidade para fazer alguma catequese sobre estes sacramentos e aprofundar a sua relação com a Morte-Ressurreição de Cristo, e ajudar os cristãos a descobrir a dimensão pascal de cada um deles.
SDPL
