Decorreu em Fátima, de 5 a 8 de Setembro, o V Simpósio do Clero de Portugal, reunindo quase meio milhar de padres e bispos portugueses. No comunicado final do encontro que decorreu sob o signo da Comunhão, o clero português afirma: “O presbítero é um homem único e imprescindível no interior da humanidade, consagrado pela ordenação para servir e dar a vida por amor a favor do povo de Deus e de todo o mundo. Este serviço que é ministério sacerdotal que nos santifica e santifica aqueles a quem servimos, que nos faz felizes e constrói as bem-aventuranças do Reino deve ser realizado como testemunho de amor, de alegria e de paz”. O Correio do Vouga pediu um testemunho pessoal a um dos sacerdotes da diocese que participaram no encontro.
Foi-me pedido que desse um testemunho pessoal do que vivi e experimentei nesta minha participação no V Simpósio do Clero de Portugal.
Foi um simpósio muito positivo e enriquecedor para todos os participantes, vivido em clima de alegria e de oração, e principalmente para mim, porque sendo a minha primeira participação, pensava que iria ser maçador… Não foi, muito pelo contrário. O tema, “Presbitério em Comunhão ao Serviço da Comunhão Eclesial”, a isso se proporcionou e muito contribuiu para esta minha experiência francamente positiva, já que eu faço parte de uma Unidade Pastoral, onde sou, precisamente, chamado a construir esta mesma comunhão.
Foi muito importante saber, experimentar, que não estamos sozinhos neste caminho, onde se procura a comunhão entre todos. Que, apesar do caminho ser difícil e cheio de obstáculos, existe a confiança e a esperança de que não estamos no fim, mas no início de novos caminhos e de novas experiências, que o Espírito Santo vai suscitando. Está a surgir uma nova Igreja. O Espírito vai trabalhando e disso são prova os novos caminhos apresentados, um dos quais a Unidade Pastoral da qual faço parte. E, como disse o nosso bispo, numa das suas intervenções, não podemos é ter medo de acolher e deixar trabalhar o Espírito.
As temáticas e os painéis apresentados deram-nos a oportunidade de reflectir sobre o que é essencial e específico na vida e missão do presbítero. Em especial gostei muito das conferências do prior Enzo Bianchi. Foram das que mais me interpelaram, isto talvez por serem mais antropológicas e pastorais. Todos nós já sabíamos e sabemos; mas nem sempre temos a coragem e talvez nem queiramos pôr em prática. Foi, assim, uma oportunidade de rezar e reflectir a vida do presbítero, de tomar consciência, mais uma vez, que somos um presbitério em comunhão e que esta se alicerça e fundamenta na Trindade. A comunhão implica relação e integração das diferenças, pois só pode haver relação se houver diferenças. A diversidade na Igreja e entre as comunidades eclesiais é constitutiva da mesma. Comunhão que não está feita, mas que é preciso ser construída e realizada todos os dias.
Estamos ao serviço da comunhão, que passa cada vez mais por cada um saber qual é o seu papel e assumir as suas responsabilidades. Isto é, bispos, presbíteros e leigos, todos têm um papel específico e importante a desempenhar na Igreja; e, por isso, cada um tem que assumir o seu papel. Comunhão que se expressa, sobretudo, na escuta e no acolhimento das pessoas. Somos padres não para proveito próprio nem da nossa família mas para a comunidade, com uma missão que é a do amor pastoral. Portanto, os presbíteros são homens dados ao povo de Deus, para viver a comunhão e construir em Igreja a comunidade.
Este simpósio foi, ainda, muito positivo porque proporcionou estabelecer novas relações entre os participantes, troca de ideias, partilha de outras experiências, oportunidade de novas amizades ou o reforçar de amizades já existentes. Fica-me, assim, na memória esta relação fraterna que experimentei.
Sendo este texto uma partilha e um testemunho pessoal do que senti neste Simpósio, não posso terminar sem deixar de manifestar que esperava mais participação por parte do nosso presbitério. Penso que estes encontros são importantes para construir comunhão e para a descoberta de novos caminhos. Muitas vezes lamentamo-nos da falta de ajudas e de subsídios, mas depois não aproveitamos estas oportunidades.
José Carlos Pereira
Padre na Unidade Pastoral de Águeda
