Os pronunciamentos de Bento XVI são sempre densos e de temáticas cruciais, quer para a vida da Igreja, quer para o rumo da Humanidade. Mais uma vez assim aconteceu, no Teatro Nacional de Zagreb, na tarde do passado sábado, quando o Papa se dirigiu às estruturas da sociedade civil (mundo político, académico, cultural e empresarial), ao corpo diplomático e aos líderes religiosos.
Reafirmando que Jesus Cristo, plenamente Homem, é plenitude de vida e significado para tudo o que é humano, afirmou, por isso, que a dimensão de universalidade da arte e da cultura é conatural à dimensão religiosa.
Na sequência disto, conclui que “a religião não é uma realidade à parte, relativamente à sociedade: pelo contrário, é uma sua componente conatural, que evoca constantemente a dimensão vertical, a escuta de Deus como condição para a busca do bem comum, da justiça e da reconciliação na verdade”. Buscando, assim, a verdadeira essência, a religião torna-se uma força de paz e corresponderá à sua genuína missão.
O santo Padre introduz, em seguida, o tema da consciência – central na sua dissertação -, para dizer que “é fundamental para uma sociedade livre e justa”. Não redutível ao âmbito da subjectividade, para onde se relega a religião e amoral. Mas “como da escuta da verdade e do bem, lugar da responsabilidade diante de deus e dos irmãos em humanidade – que é a força contra toda a ditadura”…
Nesta perspectiva, “mantendo a racionalidade e a liberdade abertas ao seu fundamento transcendente”, não só não tolherá antes confirmará e desenvolverá “as grandes conquistas da idade moderna, isto é, o reconhecimento e a garantida da liberdade de consciência, dos direitos humanos, da liberdade da ciência e, consequentemente, de uma sociedade livre”.
A qualidade da vida social e civil dependerá desta reserva crítica de humanidade, cuja formação é primordial. Contributo essencial à sociedade, específico e precioso, é o que a Igreja pode oferecer na formação da consciência. Sem esquecer que a Família é o primeiro lugar dessa formação, a Igreja oferece às crianças e adolescentes, aos jovens e adultos, a luz da Palavra e o exercício prático do sentido da comunidade como um dom. Aí hão-de aprender que o amor é “a força propulsora principal para o verdadeiro desenvolvimento de cada pessoa e da humanidade inteira” (Caritas in Veritate – 1).
Assimilados estes princípios, a vida familiar, social, laboral, cultural e artística construirá uma polis acolhedora, hospitaleira, inclusiva, atravessada de valores humanos, “com uma forte consistência ética, em vez de uma sociedade vazia e falsamente neutra. E aí os fiéis leigos terão um empenho coerente por uma autêntica laicidade, na justiça social, na defesa da vida e da família, na liberdade religiosa e educativa.
A sabedoria percorre as palavras de Bento XVI. Vale a pena acolhê-las e procurar digeri-las, assimilá-las e torná-las guia do nosso pensar e do nosso agir.
