A crise gera situações de “aproveitamento dos mais fracos”, denuncia D. Jorge Ortiga

A intervenção social da Igreja e a sua resposta à crise actual estão na agenda dos trabalhos dos Bispos portugueses, que estão reunidos em Fátima, em assembleia plenária, até ao dia 15 de Abril

Na abertura dos trabalhos, o presidente da Conferência Episcopal Portuguesa chamou a atenção para “a acumulação desonesta, plasmada numa astúcia nem sempre eticamente certa e guiada por processos desumanizantes da economia”. D. Jorge Ortiga considera que esta situação “gera uma actividade sem escrúpulos e situações de corrupção ou de aproveitamento dos mais fracos”. “A vigilância deve ser, por isso, permanente, sem medo de criticar os frequentes desvios que estão a gerar situações injustas e pecaminosas, como consequência de muita apropriação indevida”, assinalou.

Para D. Jorge Ortiga, “o amor à verdade, preocupação permanente da Igreja, deveria chegar ao Estado e a muitas outras instâncias de decisão”. “O futuro da sociedade está condicionado pelo contributo que cada um oferece para um clima de confiança mútua, de segurança e de tranquilidade”, indicou. O presidente da CEP lamentou que, do ponto de vista da acção social da Igreja, “nem todos” queiram reconhecer o trabalho existente e sejam poucos “aqueles que conhecem o dinamismo da caridade”. “Não estamos numa exposição de vaidades, mas a sociedade necessita de (re)conhecer o que move muitas instituições”, observou.

Para o Arcebispo de Braga, “os caminhos da solidariedade exigem a sobriedade que parece ser alheia aos dinamismos de quem acredita na felicidade do ter e no gozo ilimitado”. “Viver para além das reais possibilidades engana e está a conduzir a situações dramáticas na vida das pessoas e das famílias”, alertou. Aos cristãos, D. Jorge Ortiga deixou o desafio de “descobrir, reconhecer e libertar os pobres”. “Sabemos que existem situações de miséria escandalosa. Precisamos de ir ao encontro daqueles que sofrem e oferecer-lhes uma dignidade superior à de um mero número estatístico”, apontou.

Durante a assembleia da CEP vão ser apresentadas as Conclusões do Relatório sobre as instituições de apoio social. Deverá ser ainda divulgada a Carta Pastoral sobre a dimensão missionária da Igreja.

“Importa restabelecer a justiça”

Sobre a questão da pedofilia, D. Jorge Ortiga defendeu que “perante a grave lesão da dignidade pessoal das vítimas dos casos de pedofilia, importa restabelecer a justiça, purificar a memória e reafirmar, humildemente, o compromisso da Igreja de fidelidade a Deus e de serviço aos homens”. O arcebispo reafirmou ainda a convicção de que nesta questão os portugueses estão “unidos ao Santo Padre”.

Ecclesia/CV