Beira-Mar 1 – 1 Paços de Ferreira NUNO CANIÇO
O Beira-Mar desceu à Liga Vitalis. O empate caseiro ante o Paços de Ferreira foi insuficiente para garantir a manutenção por culpa dos três pontos alcançados pelo Setúbal na Figueira da Foz.
A circunstância – Estádio Municipal de Aveiro; árbitro da par-tida: Pedro Proença, de Lisboa; 5617 espectadores. Marcadores: Cristiano 9’ e Vasco Matos 46’.
A perspectiva – Não há memória de um campeonato cuja última jornada ainda tivesse tanto por decidir. Qualquer um dos três grandes poderia fazer a festa do título. Havia também um lugar europeu para três candidatos e um lugar na Bwin Liga do próximo ano também para três equipas. Para o Beira-Mar, a famosa “dependência de terceiros” resumia-se a fazer melhor que o Aves (que defrontava o Porto) e isso foi conseguido. O problema chamou-se Setúbal, que vencendo fora a Naval ultrapassou os outros dois concorrentes.
Resumo – Mais uma vez a equipa entrou a perder e a ter de “ir em busca do prejuízo”. A ansiedade prendia os movimentos aos jogadores, demasiado lentos para um Paços motivado em busca de um lugar europeu. O golo gelou os jogadores, mas rapidamente foram em busca da reviravolta. A igualdade aconteceu logo após o intervalo, num lance de belo efeito cuja conclusão esteve a cargo de Vasco Matos. O golo salvador esteve nos pés de Delibasic, mas o destino estava traçado…
Arbitragem – Pedro Proença não teve influência no resultado, contudo, atendendo a que a manutenção esteve a um ponto de distância, é impossível não pensar no penalty no último minuto ante o Benfica, os golos em fora de jogo do Marítimo, os penalties incrivelmente mal assinalados (Leiria e Naval) entre tantos outros erros que custaram a descida de divisão.
Soler – “O primeiro a falhar fui eu. Sou o primeiro responsável e depois houve coisas que me surpreenderam. Não eram o que esperava pela experiência que tinha. Estes jogos são assim. Há ansiedade e todos querem ganhar. Podíamos ter ganho numa série de ocasiões. Não conseguimos o objectivo e no próximo ano o clube estará na Liga de Honra. Fizemos 15 pontos na segunda volta e não está mal. É difícil assimilar este final com os jogadores tristes e a minha família triste. Temos que pensar em tudo isto. Não sei se vou continuar. Tenho muita vontade, mas preciso de pensar na família.”
A jornada – O Porto conquistou o 22º título do seu historial, no mesmo dia que o seu presidente Pinto da Costa ganhou as eleições para mais um mandato de três anos. Os dragões bateram o Aves por 4-1, números que iludem as dificuldades sentidas pelos portistas. Já o Sporting venceu o Belenenses (4-0), mas o verdadeiro duelo está marcado para o Jamor no próximo fim-de-semana. O Benfica também terminou o campeonato a vencer (2-0 à Académica). Apesar da desilusão encarnada, Fernando Santos fez o melhor campeonato para o Benfica desde há muitos anos. O Paços de Ferreira carimbou o passaporte para a Taça UEFA e o Setúbal relegou Beira-Mar e Aves para a II Liga.
