“A Cruz é o trono de Deus”

Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo – C Neste último domingo do ano litúrgico, solenidade de Cristo Rei, a Palavra de Deus convida-nos a tomar consciência de que Jesus Cristo é verdadeiro Rei. Contudo, deixa claro que esta realeza não pode ser entendida à maneira deste mundo, pois é uma realeza que se exerce no amor, no serviço, no perdão, no dom da vida. A primeira leitura apresenta-nos o cerimonial da unção de David como rei de todo o Israel. Com ele, iniciou-se um tempo de felicidade, de riqueza e de paz, que ficou na memória do Povo de Deus. Este tempo esbateu-se no desenrolar da história, mas o Povo sonhava com o regresso a essa era de felicidade e com a restauração do reino de David. Os profetas anunciaram a chegada de um descendente de David que iria realizar esse sonho. Na verdade, Jesus de Nazaré nasce da linhagem de David; mas Ele é Rei ontologicamente, desde toda a eternidade. Ele é a resposta de Jahwéh aos sonhos e expectativas do Povo de Deus, que veio para restaurar o reino de David, mas ao jeito e na lógica de Deus. Que significa, para mim, dizer que Jesus é Rei?

O Evangelho apresenta-nos a realização desta promessa: Jesus é o Messias/Rei enviado por Deus, que veio tornar realidade o antigo sonho do Povo de Deus e apresentar aos homens e mulheres o “Reino”. No entanto, o “Reino” que Jesus propõe não é um Reino construído sobre a força, a violência, a imposição, mas sobre o amor, o perdão, o dom da vida. Celebrar a festa de Cristo Rei do Universo não é celebrar um Deus forte e dominador, que se nos impõe do alto da sua omnipotência e que nos assusta com gestos espectaculares. É, ao invés, celebrar um Deus que serve, que acolhe e que reina nos corações com a força desarmada do amor. A cruz é o trono de um Deus que recusa qualquer poder e escolhe reinar nos nossos coração através do amor e do dom da vida. À Igreja de Jesus ainda falta muita coisa para interiorizar a lógica da realeza de Jesus. Depois dos exércitos para impor a cruz, das conversões forçadas e das fogueiras para combater as heresias, continuamos a manter estruturas que nos equiparam aos reinos deste mundo… A Igreja, serva de Cristo e dos homens e mu-lheres, necessita de estruturas que funcionam segundo a lógica do mercado e da política? Que sentido é que tudo isto faz? Em termos pessoais, a festa de Cristo Rei convida-nos, também, a repensar a nossa existência e os nossos valores. Diante deste “Rei” despojado de tudo e pregado numa cruz, não nos parecem completamente ridículas as nossas pretensões de honras, de glórias, de títulos, de aplausos, de reconhecimentos? Diante deste “Rei” que se dá sem guardar nada para si, não me sinto convidado a fazer da minha vida um dom ao serviço da comunidade humana e eclesial?

A segunda leitura é um hino cristológico, que celebra a grandeza universal e cósmica de Cristo, e sublinha a relação existente entre a criação e a redenção. Ele é o Homem-Deus constituído Rei do Universo e centro de toda a criação. A 1ª estrofe deste hino descreve-o como criador e refere-se à preexistência de Cristo, especialmente o seu papel na criação e no desígnio salvífico universal; a 2ª estrofe descreve-o como redentor e refere-se a Cristo mediador da redenção ou da reconciliação. Ele é o centro de todo o universo e tudo converge para Ele. Em termos pessoais, Cristo é o centro, a referência fundamental à volta da qual a minha vida se articula e se constrói? O que é que Ele significa para mim em termos existenciais?

Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo – C

2 Sm 5,1-3; Sl 122 (121),1-2.4-5; Cl 1,12-20; Lc 23,35-43