As férias sempre ouvi dizer que deveriam ser mudança de actividade e nunca a paragem no “aprazível nada fazer”. Até porque a inactividade, o ócio, cansa por vezes mais do que a rotina de um ano de trabalho. Para já não falar nos maus hábitos de dar cabo do tempo com ocupações de lazer que desgastam muito mais do que o trabalho habitual. Basta ver o recomeço do ano… De muita gente, os primeiros dias são difíceis e rendem visivelmente menos.
Há muitos que aproveitam esse tempo “divino” para acolherem e darem o seu entusiasmo a causas culturais, filantrópicas, apostólicas…, cientes de que o seu voluntariado, fazendo felizes os outros, lhes trará a alegria que vai tonificar um novo ano. E aumenta o número, em todas as idades, daqueles que programam generosamente o seu tempo de férias para os outros, desde os familiares aos mais desconhecidos.
Por outro lado, ainda que permanecendo voltado para si próprio, há formas nobres de se enriquecer pessoalmente, adquirindo novas competências para o desenvolvimento pessoal e para o compromisso profissional e social. Aumentam os cursos compactos de Verão, aumenta o número daqueles que a eles aderem, trocando o delapidar o tempo pelo aproveitamento dele de outro modo.
Com agrado registei o testemunho de dois jovens, inscritos em cursos de uma Universidade da Capital. Mesmo só de ouvido, transparecia o gosto por ter, nas férias, a oportunidade de um enriquecimento diferente. Era essa mesmo a mensagem: a alegria de marcar a diferença por uma ocupação diferente e construtiva, em vez do matar do tempo pelo tédio da inutilidade!
No passado domingo, falando aos peregrinos em Castel Gandolfo, antes de partir para uns dias de repouso, Bento XVI disse carregar no coração todos aqueles que não podem fruir de um tempo de férias. “Não me esqueço de quem não pode desfrutar de um tempo de descanso e de férias: penso nos enfermos nos hospitais, nos encarcerados, nos anciãos, nas pessoas sozinhas, e em quem passa o verão no calor das cidades” – afirmou.
É verdade: a injustiça social priva muitos dessa ocasião salutar para refazer energias. Mas é facto também que o nosso egoísmo priva estes de quem nos fala o Papa de um pouco de atenção e carinho, de uma proximidade afectuosa, que nos descansariam o corpo e nos refrescariam a alma!
Mãos à obra! Boas férias!… Destas que retemperem o espírito, mesmo que reclamem do corpo algum esforço!
