A diferença cristã

Temos assistido a uma subida de tensão, no confronto do Estado com a Igreja, em diversos países da Europa, não sendo Portugal excepção. Pelo contrário, o pronunciamento da Conferência Episcopal, a propósito de projectos legislativos fracturantes, tem desencadeado incómodos e comentários nem sempre sensatos.

É evidente que a Igreja deve escutar antes de falar, acolher em vez de julgar, amar o mundo antes de se defender dele, alimentar-se da criatividade e não do medo, anunciar profeticamente em vez de acusar, como muito bem diz Enzo Bianchi.

Só que o Estado, a governação, em democracia, deve assumir também comportamentos adequados. “Sim, o Estado deve ser laico e deve saber que a sociedade civil, pelo contrário, não é laica: por isso, o Estado deve defender a liberdade de consciência e velar por uma coexistência pacífica entre todas as componentes da sociedade, opondo-se a todas as formas de violência utilizadas para promover convicções religiosas e morais. Todavia, sem fazer da sua laicidade uma ideologia laicista, o Estado deve promover aquilo a que Ricoeur chamava «laicidade de confronto», uma laicidade capaz de respeitar as religiões, as suas manifestações públicas e as suas convicções, apresentadas também à sociedade na dialéctica democrática: em suma, o Estado deve desempenhar um papel activo, inspirado numa neutralidade positiva, capaz de garantir o pluralismo e de tutelar os direitos das minorias” (E. Bianchi, “A Diferença Cristã”).

A Igreja tem de se afirmar pela sua diferença construtiva do cristianismo. O Estado só é democrático quando respeita a pluralidade religiosa e ética da sociedade civil!