A família tem futuro?

Painel*

* Todas as semanas o Correio do Vouga lança uma pergunta e pede a quatro pessoas que respondam.

Francisco Martins

Padre, director do Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar

Tem futuro, mas mesmo no presente está ameaçada. Ainda que seja a célula vital da sociedade, não se lhe dá o lugar e a importância devida.

Há legislação que não protege os seus direitos e deveres, que não protege a vida. A fiscalidade não traz vantagens à família, pelo contrário, prejudica-a. Os horários e a legislação do trabalho podem dificultar a vida da família, levando ao desencontro do casal e a dificuldades na educação dos filhos.

A família é a base da sociedade, é a instituição que a suporta, mas valoriza-se o individual, esquece-se que cada pessoa tem uma família, pelo menos da retaguarda.

Sónia Neves

Jornalista da Ecclesia, casada há um mês

Acredito absolutamente no futuro da família. Pessoalmente, penso que a família tem de começar por ser um sonho, antes de passar pelo casamento e pela geração de novos membros. Concretizar o sonho é realizar a vocação.

Se tivemos uma família como base, que nos levou por caminhos em que acreditamos e que nos fizeram bem, que nos levou à igreja pela primeira vez, que gosta de nós, que nos acarinhou e caminha connosco, que nos vai aparando nas quedas, então começamos a sonhar em ter a nossa própria família, já que ela foi o grande exemplo da nossa vida. E pensamos: “Eu também quero uma assim”.

Filipe Tavares

Professor de EMRC, pais de duas crianças

Penso que a família é o único futuro para a sociedade, num mundo cada vez mais egoísta. Só no seio do amor, só no seio da família, eu e cada um de nós podemos crescer. A pessoa só pode ser no seio do amor.

Onde só predomina o económico, dificilmente surge o novo ser. A pessoa é dom que não surge do pagamento do que quer que seja: “Agora passa para cá xis, porque eu te gerei e gastei em ti xis”. Não é assim que funciona a família, porque é espaço de gratuidade e amor, de apoio mútuo e felicidade. Se na sociedade predomina o lucro, mais temos de ser, como família, comunidade de amor.

Cristina Ribau

Empresária, mãe de quatro meninas

Quando se investiu uma vida inteira neste projecto de amor e se tentou fazer de cada dia uma partilha das razões do nosso coração com os filhos, só podemos acreditar que através deles o mundo irá colher o que plantámos. Acredito nos valores que as famílias, e em especial as famílias cristãs, diariamente ajudam a nascer nas crianças e nos jovens: gratidão, partilha, renúncia, trabalho, amor, esperança… Acredito muito nos jovens que vejo a lutar por um projecto de vida com sentido. Se abandonarmos a pretensão de colocar a segurança da família numa conta bancária e percebermos que podemos viver com muito menos e de modo menos egoísta, então, esta crise, essencialmente de valores, cumpriu o seu papel ao pôr-nos perante o essencial da vida. Acredito, ainda, porque Deus jamais abandonou a história e também não irá fazê-lo agora.