À Luz da Palavra – XXIX Domingo Comum – Ano C A Palavra que a liturgia de hoje nos oferece convida-nos a manter com Deus uma relação de proximidade, uma comunhão íntima, um diálogo insistente na oração: só assim nos será possível aceitar os projectos de Deus sobre nós e sobre o mundo, compreender os seus silêncios, respeitar os seus tempos e ritmos, acreditar no seu amor sem nunca esmorecer.
A primeira leitura revela-nos que Deus intervém no mundo e salva o seu Povo, servindo-se, muitas vezes, da nossa acção, desde que esta esteja em relação com Deus pela oração. O texto fala-nos da vitória de Israel sobre os Amalecitas, alcançada não tanto pela força das armas, mas pela oração contínua de Moisés. É bem claro que o conceito que este povo antigo tinha de justiça, feita por suas próprias mãos e através da guerra, não pode ser o nosso de hoje, discípulos de Jesus Cristo, embora a conjuntura actual nos mostre idênticas concepções e práticas bélicas. Hoje, a Igreja e os cristãos esclarecidos insistem mais no diálogo e nas negociações diplomáticas, apelando a que se deixe cair o recurso a qualquer tipo de armamento. Contudo, o que a palavra de Deus nos quer inculcar é o valor da oração. É a sua força que vence inimizades e remove barreiras. Se tens um inimigo, reza por ele, insiste na oração; e começarás a ver nessa pessoa um amigo, um irmão e uma irmã.
O evangelho coloca na boca de Jesus uma pergunta inquietante, no final do trecho que hoje lemos: “Mas quando voltar o Filho do homem, encontrará fé sobre a terra?”. A questão da existência ou não de fé, no contexto deste evangelho, encontra-se relacionada com a oração, feita com assiduidade e perseverança. Há muita gente que afirma que, hoje, não se reza, salvaguardando, como é óbvio, muitas e boas excepções. E isto, porque a própria vida pastoral é muito agitada e as exigências técnicas e pedagógicas são tantas, que não deixam tempo suficiente para a oração e, em alguns casos, quase a substituem. Será que a nossa fé é bastante grande para percebermos que sem tempos diários de oração a nossa existência, preenchida com tudo o que fazemos de bom para nós e para os outros, pode arriscar-se a ser apenas natural, sem alcance divino, e, por conseguinte, frágil? Mas, será que ainda há fé sobre a terra, de modo a que os homens e as mulheres dos nossos dias acreditem que, pela oração, conseguem de Deus o impossível aos olhos humanos? É esta a grande questão dos nossos tempos.
A segunda leitura fala-nos do valor da oração feita a partir da Bíblia: ela ensina-nos, persuade-nos, corrige-nos e forma-nos segundo a justiça. Por isso, Paulo aconselha-nos a viver desta palavra, a proclamá-la, insistindo a propósito e fora de propósito, a argumentar, ameaçar e exortar com a palavra inspirada, com muita paciência e boa doutrina. Empenho-me na minha formação cristã a partir da Bíblia? Procuro participar em encontros e cursos que me ajudam a perceber melhor a Palavra de Deus, que está contida na Bíblia? Neste domingo, e no contexto da formação cristã, vou comprometer-me a empregar algum meio para melhor estudar e orar pela minha Bíblia.
XXIX Domingo Comum: Ex 17,8-13; Sl 121 (120); 2 Tm 3,14-4,2; Lc 18,1-8
Deolinda Serralheiro
