LIVRO Em “Ano da Eucaristia”, têm surgido algumas obras sobre o tema. Mas, de uma forma geral, pouco entusiasmantes.
Porque será que o sacramento central dos cristãos não provoca reflexão, meditação, louvor ou até interrogação e questionamento dos próprios cristãos? Medo do sagrado? Medo de interpretações inadequadas? Medo da heresia? Este devia ser um dos últimos medos, até porque a Eucaristia de Jesus (a sua Última Ceia, a nossa primeira Missa) foi a reinvenção da ceia pascal dos judeus – “uma ousadia inaceitável”, diriam os contemporâneos de Jesus.
Medo de interrogar a fixação litúrgica da Missa? Talvez. De facto, por vezes o medo de “mexer” na Eucaristia é dos maiores, sendo resultado do predomínio da corrente que a sublinha como “sacrifício sagrado” (logo, impondo respeito) sobre a “refeição fraterna” (logo, provocando festa). Estes são os dois grandes modos de entender a Eucaristia.
Mas, para lá destes medos, talvez a origem da pouca paixão para falar da Eucaristia (que, no Correio do Vouga, teve como reflexo o fim da coluna de testemunhos “A Eucaristia no meu coração”, devido à pouca resposta aos pedidos feitos), esteja, afinal, na tibieza da fé.
Quando surgiu a proposta papal de 2005 ser o “Ano da Eucaristia”, parecia algo de desnecessário, por ser um sacramento tão implícito ao ser cristão, tão fundamental. Parecia tão desnecessário como a ONU proclamar, por exemplo, 2007 “Ano da Respiração”, para nos lembrar que respiramos. Porém, a realidade encarrega-se de mostrar tal necessidade, que é certamente um reflexo do arrefecimento da fé cristã.
“A Festa do Cordeiro” tem como subtítulo “Missa: o Céu na Terra” e é escrito por um pastor calvinista norte-americano convertido ao catolicismo. Conhecendo bem as Escrituras, um dia entrou numa igreja católica em que estava a ser celebrada uma Missa e viu diante de si a realização do que está escrito no livro do Apocalipse. No dia seguinte, voltou a entrar; e depois outra vez, para presenciar “o poderoso drama sobrenatural em que muitos cristão participam todos os domingos”. Apaixonou-se pela eucaristia e nada mais pôde fazer que tornar-se católico.
“Se o leitor, tal como eu, toda a vida foi católico, é provável que o Dr. Hahn lhe dê uma visão totalmente nova da Missa”, diz o padre católico B. J. Groeschel no prólogo. Ajuda-nos a ver como o céu (o futuro absoluto, o fim do mundo, a dimensão escatológica) tem a ver com o presente da Missa. E isso muda muito.
Escrito por um americano, este livro tem aquele tom pragmático que caracteriza muitas obras dos EUA e que se nota no uso de slogans e títulos de filmes e canções. No entanto, esse efeito perde-se muito na tradução para português.
J.P.F.
