Jornalista apresentou “Vai apanhando os pontos, as pistas, as migalhas que te deixo”, dirá o autor para o leitor activo. Esta foi uma das ideias que Rodrigo Guedes de Carvalho deixou a uma plateia de cerca de 50 pessoas que se deslocou à Biblioteca Municipal de Aveiro, pelas 22h do dia 28 de Abril.
Para lançar a terceira obra do autor, esteve presente o professor doutor António Manuel Ferreira, da Universidade de Aveiro, que confessou ter sido levado a gostar de Mulher em Branco logo pela leitura das epígrafes. O Professor da UA congratulou-se por ter descoberto um “grande escritor”, nas palavras repetidas que o levaram a afirmar que “é muito gratificante poder acompanhar o percurso de um escritor desde o início da sua carreira.”
Disse ainda que é preciso aprender a ler este tipo de romances, que poderão exasperar um leitor que não esteja habituado a uma escrita “que flui, ao ritmo próprio da linguagem, como se as palavras se puxassem umas às outras.” Considerando que o mais importante não é a história, foi o trabalho de linguagem que chamou a atenção de António Manuel Ferreira, que anuncia Rodrigo Guedes de Carvalho como um autor muito sensível, um poeta. A este comentário, o autor respondeu não ser essa a sua pretensão, pois, revelando a sua modéstia, considera-se incapaz de escrever poesia. Leia-se Mulher em Branco e descobrir-se-á que talvez não seja bem assim.
Entre muitos comentários e respostas cheias de bom humor, o autor, jornalista na SIC, sublinhou que “a leitura deve ter uma grande parte de convocação do leitor”, devendo este ler tudo e não na diagonal. Se o escritor teve o cuidado de colocar aquela pontuação e aquelas palavras, é porque são importantes, disse. Destacou ainda a ideia de que a ficção é o espaço onde tudo é possível, pelo que os factos narrados, porque os leitores não se identificam com eles, não serão mais ou menos verosímeis. A ficção não tem que seguir as regras do real. Rodrigo Guedes de Carvalho afirmou que as suas personagens não são de maneira alguma personagens-tipo. São pessoas, mas não pessoas da vida real. Pessoas de ficção, ausentes de caracterização física, para que o leitor possa intervir de forma activa. Algumas das passagens da sua narrativa são “massacrantes, propositadamente para que o leitor entre exactamente na raiva da personagem,” partilhando assim do sentimento que a domina.
Teresa Correia
