“A guerra não resolve os conflitos entre os povos”

João Paulo II volta a lembrar Na sua mensagem ao Corpo Diplomático, o Santo Padre denuncia, mais uma vez, que a paz é sobretudo fruto de uma acção moral e jurídica

Ao dirigir-se ao Corpo Diplomático credenciado junto da Santa Sé, o Papa recordou, mais uma vez, que a guerra não resolve os conflitos entre os povos. E fê-lo logo depois de ter afirmado que é mais urgente do que nunca voltar a uma segurança colectiva mais efectiva, “que dê à Organização das Nações Unidas o lugar e o papel que lhe corresponde”, aprendendo a tirar lições do passado distante e recente.

João Paulo II aproveitou a circunstância para denunciar os conflitos do Iraque, o problema israelo-palestiniano e “os inenarráveis sofrimentos impostos às populações israelita e palestiniana”, mas também as tensões sobretudo em África, com as pessoas a viverem situações dramáticas. “Aos efeitos da violência acresce a deterioração do tecido internacional, fazendo que povos inteiros caiam no desespero”, disse o Papa.

O Santo Padre condenou o terrorismo internacional que, “ao semear o medo, o ódio e o fanatismo, desonra todas as causas que pretende servir”. E acrescentou: “toda a civilização digna deste nome supõe a rejeição categórica das relações de violência.”

Ao considerar que a fé é força para construir a paz, o Papa adiantou que a Igreja Católica põe à disposição de todos o exemplo da sua unidade e da sua universalidade, mas ainda “o testemunho de muitos santos que souberam amar os inimigos” e o exemplo de políticos que encontraram no Evangelho “o valor para viver a caridade nos conflitos”. De facto, sublinha o Papa, “onde a paz está em causa, há cristãos testemunhando com palavras e actos que a paz é possível”.

Ao recordar que as comunidades de crentes estão presentes em todas as sociedades “como expressão da dimensão religiosa da pessoa humana”, João Paulo II diz que todos eles “esperam legitimamente poder participar no diálogo público”, o que nem sempre é possível.

“Somos testemunhas, nos últimos tempos, de uma atitude que poderia pôr em perigo o respeito efectivo da liberdade de religião em certos países da Europa”, afirma o Papa, enquanto defende “o respeito de todas as crenças por parte do Estado”, que deve assegurar “o livre exercício das actividades de culto, espirituais, culturais e caritativas das comunidades de crentes”.

Entretanto, João Paulo II volta a lembrar que, “sem subestimar as demais tradições religiosas”, é um facto que a Europa se afirmou ao mesmo tempo em que era evangelizada. “É um dever de justiça recordar que até há pouco tempo, os cristãos, ao promover a liberdade e os direitos do homem, contribuíram para a transformação pacífica de regimes autoritários, assim como para a restauração da democracia na Europa central e oriental”, disse.

Sublinhando que o ecumenismo é um dos interesses do seu Pontificado, o Papa garantiu estar convencido de que “o mundo seria mais solidário”, se os cristãos fossem capazes de superar as suas divisões. Por isso, sempre favoreceu os encontros e declarações comuns, “vendo em cada um deles um exemplo e um estímulo para a unidade da família humana”.

Nesta sua mensagem ao Corpo Diplomático, Sua Santidade afirmou que a prática de um estilo de vida evangélico “faz com que os cristãos possam ajudar os seus companheiros de humanidade a superar os instintos, a viver gestos de compreensão e de perdão, a sair juntos em ajuda dos que necessitam”.