A igreja diocesana (III)

Revisitar o Sínodo Diocesano No rescaldo do Dia da Igreja Diocesana e em vésperas de ordenação sacerdotal, vale a pena regressar ainda ao texto sinodal, para refrescar as nossas memórias e – quem sabe?… quem dera!… – recuperar o ânimo que sempre vive no coração dos que se submetem ao Espírito Santo, na certeza de que Ele acabará por vencer a nossas resistências e fazer desa-brochar formas novas de organização e de vida.

“Reconheça-se o ministério ordenado como serviço evangélico ao crescimento cristão dos baptizados e como ministério estruturante da comunidade e dos organismos e serviços” – diz o texto. Estamos em tempo de confusão entre a proximidade e a diluição de identidades; em tempo de confusão de democracia com anarquia…

Brotam desta afirmação sinodal centelhas de orientação, seja para os ministros ordenados, seja para o Povo de Deus. Se não é o cabeção que nos identifica, é o nosso modo de pensar, de dizer, de estar, em todas as circunstâncias, dentro e fora do templo, que inspira elevação e espelha a dedicação de Deus por todos, e traduz o amor oblativo do Senhor Jesus por todos, com predilecção pelos mais indefesos. Grande caminho a percorrer, para Bispo, Presbíteros e Diáconos!

Também o Povo de Deus está convidado a caminhar. A autoridade não se impõe com palavras duras, atitudes intransigentes… Mas o certo é que a Igreja é uma comunhão orgânica, onde a igual dignidade de baptizados não elimina, antes exige, o reconhecimento da diversidade de funções, da diversidade de responsabilidades; e o acolhimento da intervenção de cada um no serviço que lhe está cometido.

Bem sei que a crise de anarquia é geral. Bem pode a Igreja cuidar a formação de todos os seus membros, de modo a tornar-se e manifestar-se como laboratório de reconhecimento da diversidade e perfeição de cooperação, pela caridade! Aliás, a riqueza de experiência que a Eucaristia pode proporcionar em cada domingo é nutriente bem capaz de manter, consolidar e acrescentar esta forma de vida.

É certo que esta dinâmica exige capacidade de risco e inovação, coragem de mudança. As estruturas só se justificam enquanto serviço à Vida. Aí temos nós dificuldade de conceber a Tradição como a forma eficaz de transmitir a vitalidade eclesial. “Promova-se a revisão periódica das estruturas pastorais territoriais, paroquiais, arciprestados e outras, para que prestem aos cristãos o melhor serviço e não constituam obstáculos à acção pastoral e apostólica”.

Em tempo de nomeações, quando se exigem outras formas de organização pastoral, de distribuição dos recursos humanos, que sensibilidade têm as comunidades à realidade da Diocese? Que espírito de serviço temos nós, os presbíteros, para servir a Igreja Dioce-sana, em vez de favorecermos “bairrismos” doentios? Como se processa o diálogo com o Bispo da Diocese: em função de situações pessoais ou ao serviço da Igreja?… A humildade de um exame de consciência sereno criará um verdadeiro clima de comunhão.

Querubim Silva