Na tarde do último domingo, 10 de Outubro, o salão do Seminário de Aveiro não teve lugares sentados suficientes para os agentes pastorais da Diocese de Aveiro que estiveram no lançamento da terceira etapa do quinquénio que conduz ao Jubileu dos 75 anos da restauração da Diocese. O lema da etapa é “A Igreja diocesana orante é lugar de esperança”, dando destaque ao sector litúrgico e à oração.
Numa sessão conduzida pelo P.e Francisco Melo, vigário para a Pastoral, o P.e José Manuel Pereira, que é o director do Secretariado da Liturgia, apresentou os objectivos (ver destaque) para a etapa que terminará na noite de 11 de Junho de 2011, com uma celebração de Pentecostes, na Sé de Aveiro.
Os arciprestados, em trabalho de grupo, adiantaram sugestões para implementar os tais objectivos. Registem-se algumas: criação de equipas paroquiais e arciprestais de liturgia; elaboração de panfletos explicativos em linguagem acessível; criação da figura do condutor da assembleia litúrgica; apostar na formação; envolvência dos leigos na preparação das homilias; descoberta das razões de ser dos gestos a actos litúrgicos; incentivo da oração doméstica.
Concluindo o encontro, o Bispo de Aveiro apelou às famílias (“tornai as vossas famílias lugares de beleza”, disse, ecoando palavras de Bento XVI), movimentos apostólicos, jovens (“estarei convosco na jornada mundial de Madrid”), paróquias, arciprestados (cada vez mais lugar para “promover trabalho eficaz”), padres e demais agentes pastorais para o empenho na nova etapa. “Deus precede-nos no caminho e conduz-nos ao longo da etapa”, disse.
No Guião e Calendário da terceira etapa, distribuído no domingo (os exemplares não chegaram para todos, mas o vigário para a Pastoral prometeu uma segunda edição), D. António Francisco escreveu, reforçando o lema diocesano, que “a Igreja tem de oferecer ao mundo o património incomensurável que é a sua experiência de oração, tornando-se, assim, lugar e escola de esperança (…). A oração é a alma do cristão. É parte constitutiva da vida, da celebração, da festa e do testemunho dos crentes. Na Humildade, rezamos pedindo; na esperança, rezamos agradecendo; na alegria, rezamos louvando; nas horas de fragilidade, rezamos implorando perdão; na comunhão de irmãos, rezamos construindo comunidade; no silêncio e na contemplação, adoramos Deus, fonte de vida”.
J.P.F.
12 Objectivos para alcançar até Junho de 2011
1. Valorizar a pastoral do domingo e a sua celebração
2. Fomentar a pastoral dos sacramentos
3. Rever e revitalizar a pastoral dos sacramentais (bênçãos, funerais, etc.)
4. Revalorizar os tempos fortes da liturgia (ciclos do Natal e da Páscoa)
5. Refontalizar a religiosidade popular centrando-a no Mistério Pascal
6. Criar grupos de oração
7. Fomentar a “Lectio Divina” (leitura meditada da Bíblia)
8. Realizar jornadas de pastoral litúrgica
9. Incentivar a formação litúrgica para todo o povo cristão
10 Criar equipas de pastoral litúrgica paroquiais e arciprestais
11. Rever os serviços diocesanos da liturgia
12. Elaborar um plano diocesano de pastoral litúrgica e de oração
“A oração dá sentido à vida cristã no meio do mundo”
Na presente etapa pastoral destaca-se a importância da oração. O Bispo de Aveiro respondeu a três questões sobre esta actividade essencial do cristão.
CORREIO DO VOUGA: Os cristãos rezam pouco?
D. ANTÓNIO FRANCISCO: Todos nós precisamos de rezar mais, de valorizar, purificar, intensificar, tornar a oração eficaz na realidade concreta do nosso testemunho e da nossa missão. A oração não nos retira da realidade. Inspira a realidade e dá sentido à nossa vida cristã no meio do mundo.
Quando diz “todos”, refere-se aos leigos, padres, consagrados…?
Temos valorizar a oração tanto na vida contemplativa de religiosas e religiosos que assumem como opção e vocação essa missão como na daqueles que vivem na vida activa, que são os sacerdotes, os diáconos, religiosos de vida activa, os leigos. A oração é importante para todos. É imprescindível na vida do cristão. Jesus ensinou-nos isso mesmo e envia-nos a ensinar. Temos de ser não apenas orantes, mas educadores e escola de oração para o povo cristão. Só assim podemos ser testemunhas de uma esperança nova para o mundo.
A oração transforma-nos?
A oração aproxima-nos de Deus, naquele sentido com que nos falava João Paulo II, na primeira vez que veio a Portugal: “Antes de falardes de Deus aos homens, falai dos homens a Deus”. A oração faz-nos, aos cristãos, mediadores desta humanidade que anda à procura de sentido, de projectos, de razões de ser e até de soluções para as dificuldades do momento que atravessamos. Ao mesmo tempo, tornamo-nos próximos de Deus, para que Ele nos ensine a estar com as pessoas.
