A Igreja não se pode calar sobre a família

Na abertura do ISCRA, D. António Marcelino observou que o individualismo destrói a família e apontou quatro pilares para o futuro desta realidade “criada por Deus”.

A família pode ter diferentes formas culturais e históricas, ser mais nuclear ou mais tradicional, mas não pode ser suprimida sem prejudicar o ser humano porque é “obra de Deus”, defendeu D. António Marcelino na lição de abertura do ano lectivo do Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro (ISCRA), no dia 15 de Outubro, no Seminário de Aveiro.

O bispo emérito, que há mais de duas décadas criou o ISCRA e é agora professor nesta escola, sublinhou que “a Igreja não quer mudar o rumo da história”, mas, partindo de uma leitura correcta da sociedade, tem o dever de proclamar verdades teológicas que influenciam o presente e o futuro da família com “vida, optimismo e esperança”. “A verdade é para estimular a vida e ensinar a viver”, disse.

Depois de traçar um panorama desanimador sobre a família – da pessoa que deixa a sua fortuna ao cão, ao que se lamenta sem crítica porque “agora é assim”, passando pela alta taxa de divórcio e pela vivência atípica da sexualidade, sem dimensão personalista –, fruto de uma modernidade que trouxe “muitos valores”, como os direitos humanos, mas caiu na armadilha do individualismo, D. António Marcelino apontou “quatro grandes pilares da família para o presente e o futuro”: 1.º A família nasce do casamento; 2.º O casamento nasce do projecto de vida de duas pessoas de sexo diferente; 3.º Na família manifesta-se o acolhimento do dom mútuo, que pode gerar a vida; 4.º Pela família se rompe o ângulo meramente privado e passa-se a pertencer a um âmbito social mais largo.

D. António Marcelino lamentou que a Igreja continue a “abençoar casamentos sem qualquer futuro humano, social e cristão”. Por outro lado, rematou que “o terreno armadilhado”, isto é, a cultura predominante, “é propício e desafiante” para a acção da Igreja “na defesa da verdade que liberta”.

J.P.F.

Concurso sobre a família para escolas e catequeses

No início do ano lectivo, o ISCRA tem 99 alunos na licenciatura em Ciências Religiosas, 21 no Plano de Formação Sistemática e 9 no curso dos candidatos ao diaconado permanente. Estes foram alguns dos números revelados pelo P.e Querubim Silva, presidente da direcção da escola diocesana, que adiantou ainda que no ano passado participaram 204 pessoas nas acções de formação e cerca de 800 nas tertúlias. Por outro lado, anunciou que o simpósio Fé e Cultura acontecerá no dia 3 de Março, tendo como tema central o futuro da família. Dentro desta temática, em sintonia com a pastoral diocesana, será lançado um concurso às escolas e à catequese para a elaboração de um logotipo e um slogan sobre “que bom é ter uma família”, com vista à criação de uma medalha. O regulamento já está disponível no sítio www.iscra.pt.