A lagosta e a chuva

Educação e Ambiente MARTA OLIVEIRA

Mestre em Ambiente e Comunicação

Há dias, num autocarro, uma senhora queixava-se do mau tempo. E do trânsito. O dia estava cinzento, chovia desde manhã cedo e, tal como muitos outros passageiros, esta senhora tinha apanhado uma valente chuvada. “Mas – parece impossível! – então não é que nos próximos dias vão estar trinta e tal graus?”» Diz o ditado que “quem conta um conto, acrescenta um ponto”. Se esta senhora acrescentou uns quantos graus, não deixa de ser verdade que, na mesma semana, tivemos a oportunidade de experimentar chuva e frio, seguidos de calor q.b. E houve quem aproveitasse para ir à praia; e quem tivesse que trabalhar à torreira do sol; e quem vendesse muitos gelados…

Dizia a mesma senhora, no autocarro: “Ai credo, se vêm aí trinta e tal graus, fico que nem uma lagosta! Toda espapassada”. E alguém acrescentou: “O tempo está maluco”.

Sendo verdade que não dispomos de uma bola de cristal para adivinhar o futuro, nem de uma lâmpada da qual, esfregando, nos surge um alguém que nos concede três desejos, podemos centrar-nos naquilo que está ao nosso alcance. Estão ao nosso alcance as medições de temperatura, humidade e precipitação (ou seja, quanto choveu) desde há décadas; e ainda, os registos das concentrações de determinados gases na atmosfera. Os dados parecem indiciar que está a ocorrer um aquecimento gradual do planeta; que a temperatura média tenderá a aumentar, bem como que será maior a frequência de fenómenos climatéricos extremos. Segundo diversas previsões, teremos verões mais secos e mais quentes. Também nós – e não só as plantas e outros animais – teremos que, de alguma forma, procurar formas de nos adaptarmos.

Pode parecer um cenário longínquo e catastrofista, um planeta com uma temperatura média maior do que a actual, onde a subida do nível das águas submergiu ilhas e inúmeras cidades e zonas ribeirinhas. Mas não é longínquo o cenário de fogos florestais no inverno, esse está-nos bem próximo na memória.

Os registos da concentração do gás CO2 (dióxido de carbono) mostram que os valores subiram vertiginosamente a partir da revolução industrial; com a invenção da máquina a vapor, a queima de carvão, na indústria, passou a ser prática corrente. Ao carvão seguiram-se outros combustíveis fósseis.

Muitas vezes, poderemos cair na tentação de pensar que só “os outros”, “a indústria”, “os aviões”, “os camiões”… contribuem, com a queima de combustíveis fósseis, para a emissão de gases que têm um papel no aquecimento do planeta.

Costuma deixar a sua televisão com uma luzinha vermelha ligada, quando já não está a ver? Ao nível doméstico, se estivermos atentos aos consumos escondidos/em standby dos nossos equipamentos (computador, powerbox, televisão, leitor de DVD, microondas, etc.) poderemos poupar até 10%! Poupamos na fatura mensal de eletricidade, nos recursos do planeta e nas emissões de gases como o CO2!

Nota: Informação sobre a evolução da concentração de CO2, incluindo os registos mais antigos, está disponível em http://www.esrl.noaa.gov/gmd/ccgg/trends/history.html.