A Lusa tendência

Ponta de Lança A Grécia antiga tem a fama (e, pelo menos, histórico-documentalmente o proveito) de ser a pátria da tragédia (da tragédia grega não há dúvidas!?). Mas, na verdade, quem ao longo dos séculos tem actualizado, imortalizado até, esse libelo é a ocidental Lusitânia. Tivéssemos nós mais meios de produção cinematográfica, de realização multimédia, etc. e estamos certos que seríamos a Meca da Tragédia, tal a montanha de feitos per capita! Agora foi, mais uma vez, o futebol. Conseguiram, um punhado de rapazes portugueses, essa vergonhosa façanha de menosprezar um adversário amador, a selecção do Liechtenstein, que ocupa no ranking da FIFA a 151ª posição, onde Portugal, pelos vistos enganadoramente, ocupa a oitava! É claro que se trata de uma grosseira sobranceria, típica de um jogo de aldeia, em dia de festa, entre solteiros e casados. A malta mais nova, os solteiros, vão “gracejando” com as “barriguinhas”, a falta de elasticidade e de jeito dos mais velhos, fazendo a finta malandra, o passe mais habilidoso, o toque de gozão, etc. apenas para salientar que, do outro lado, não há qualquer hipótese, mais tarde ou mais cedo marca-se uma “mão cheia” de tentos! Viu-se.

Assim se pode hipotecar o futuro de algo que (irracionalmente) domina o colectivo nacional, o futebol. É que, à falta de outros campos de afirmação, recorre-se ao que se vende melhor: futebol e sol!

Somos um país cheio, repleto de tradições. Todos demasiado iguais. Aliás, basta analisar a recente sondagem feita pela Universidade Católica para a RTP e para o Público (Jornal “Público”, 2004-10-11), sobre as tendências político-sociais dos portugueses assentes na dicotomia esquerda-direita, para aquilatarmos o valor da afirmação inicial, é tudo muito mais do mesmo.

Desportivamente… pelo desporto!