Perguntas e respostas sobre Liturgia – 5 Falávamos, na semana passada, do Círio Pascal e da sua profunda relação com todo o Tempo Pascal, respondendo às questões inicialmente colocadas. Pois bem, os ecos da Páscoa atingem também duas celebrações sacramentais muito significativas.
No Baptismo acende-se o Círio Pascal, como recordação gráfica de que, ao ser baptizados, participamos da Páscoa do Senhor Jesus. Segundo S. Paulo, não é este sacramento a imersão com Cristo na sua Morte e Ressurreição?
Deste Círio, símbolo da Luz e da Vida de Cristo, acendem-se para os vários baptizados as suas velas, que devem ser novas, levadas pela própria família, e que depois se podem conservar como recordação do que foi e é o Baptismo. As palavras do ministro dizem claramente a intenção do gesto: “A vós, pais e padrinhos, se confia esta luz, para que estes meninos, iluminados por Cristo, perseverem sempre como filhos da luz”.
Apesar do sinal central do Baptismo ser a imersão na água, o simbolismo da luz acrescenta expressividade ao mistério que se realiza: a vida nova que o Espírito deu a Cristo na Ressurreição (o Círio) é comunicada agora a cada um dos baptizados (a vela pessoal). Nos primeiros séculos o Baptismo era justamente considerado uma “iluminação”.
Também nas Exéquias se acende o Círio Pascal. É um rito que pode dar um tom pascal a este momento culminante da vida cristã. Esta pessoa que começou o seu caminho à luz de Cristo Glorioso acaba-o agora na mesma luz. O Baptismo incorporou-o na Páscoa, e a morte o introduziu definitivamente na Luz sem fim.
Também quando se celebra a Eucaristia coloca-se junto do altar duas ou mais velas acesas: costume que parece ter começado pelo séc. XI e que rapidamente se generalizou. Provavelmente, derivou de outro rito mais antigo: acompanhar a entrada do bispo ou do presidente da celebração, na procissão de entrada, com candelabros acesos, em sinal de respeito. Também agora, se se faz esta procissão, podem levar-se os ciriais, para os deixar junto ao altar.
O seu significado vem-nos indicado no Missal: “Em sinal de veneração e de celebração festiva” (IGMR 307). Como acontece numa mesa em que se celebra algo festivo e solene, estas velas, além do seu tom de ornato estético, podem recordar-nos a todos o mistério profundo que está a acontecer entre Cristo, realmente presente no meio da sua assembleia desde o início, e uma comunidade que crê n’Ele e O acolhe com atenção e amor.
Convém que sejam castiçais simples e belos, não demasiado altos “de modo a não impedir os fiéis de verem facilmente o que no altar se realiza ou o que nele se coloca” (IGMR 307). Devem estar acesos desde o início da celebração, porque tanto a festa como a fé na presença de Cristo não se concentram apenas na parte propriamente eucarística, mas já desde a Palavra e da reunião da própria assembleia com o presidente.
Também para o evangelho, se houver procissão. Entre outros sinais de respeitosa atenção para a Palavra de Cristo, estas luzes tiveram tradicionalmente a sua pequena expressividade, que convém manter.
Depois da celebração, a lâmpada acesa diante do sacrário nos recordará que Cristo continua a estar ali, como Pão disponível para nós. Ao mesmo tempo, nos convidará a uma oração adorante diante do Senhor Ressuscitado.
Naturalmente, em todas as celebrações dos sacramentos, de adoração, na exposição do Santíssimo, na Liturgia das Horas… acendem-se sempre as velas, pois elas têm aí um lugar “teológico”, pois a luz representa Cristo Ressuscitado.
José Manuel Marques Pereira
(Este texto não segue o novo Acordo Ortográfico)
Espaço da responsabilidade do ISCRA – Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro
