A maçã e as viagens

Educação e Ambiente Há dias entrei numa mercearia de bairro para comprar algumas peças de fruta. Aquela zona da cidade não me era familiar, mas a mercearia tinha um ar convidativo. Também a conversa que se seguiu, com os proprietários, um casal de meia idade, foi interessante e convidativa. Sobretudo, à reflexão.

– Estas maçãs são portuguesas?, perguntei.

– Sim, são, repondeu o Sr. António. E, em seguida, retira um exemplar da caixa e explica:

– Estas aqui são nacionais. Mas vêm do frigorífico.

Seguidamente, aponta para a caixa na prateleira de cima e acrescenta:

– Estas vêm de França.

E, indicando outra caixa:

– Também há outras que vêm da China.

Eu expliquei que preferia maçãs nacionais e escolhi algumas para levar. Entretanto, junta-se à conversa a esposa do Sr. António:

– Também temos aqui Pera Rocha. Esta é nacional. Só há cá em Portugal. Estas são muito boas. Mas também “é” de frigorífico.

A conversa estendeu-se então a macieiras, pomares, frigoríficos, morangos, estufas, peras, meloas, pêssegos, fruta da época e… fruta “de frigorífico”.

– É que aqui em Portugal só há maçãs uma vez por ano. Por isso, as maçãs são apanhadas e depois guardadas em câmaras frigoríficas, num ambiente controlado, explica o Sr. António. E acrescenta:

– Isso quer dizer que essas maçãs aí estiveram dez meses no frigorífico. Agora só lá para Setembro é que voltamos a ter maçãs “no tempo delas”. Só há um tipo de maçãs que não aguenta frigorífico: a Bravo de Esmolfe.

Esta conversa fez-me recordar a resposta de um rapaz de oito anos, quando lhe perguntaram o que ele achava ser a sustentabilidade. Respondeu: “Significa que estamos a poupar naquilo que devemos.”

Fez-me também recordar uma notícia que relata a decisão de um adolescente indiano, Jadav “Molai” Payeng, em 1979, de plantar uma floresta. Semente a semente, sozinho. Hoje a floresta tem 1360 acres e Payang, 47 anos. E recorda: “Na altura ninguém quis saber. Por isso, fiz tudo sozinho”.

Talvez nem todos possamos plantar uma floresta, mas… no que diz respeito a procurar mais informação sobre o que consumimos e às escolhas que fazemos no supermercado ou mercearia, tal não será algo inalcançável.

Aproveitando a “onda” do Dia do Ambiente comemorado no passado dia 5, porque não pensar ainda mais a sério em apoiar o consumo de produtos da época, e nacionais?

Aprender a fazer perguntas

Uma sugestão de leitura sobre aprender a fazer perguntas e procurar respostas sobre o mundo à nossa volta: “Mr. Finney e o mundo de pernas para o ar”, de Laurentien van Oranje e Sieb Posthuma, da Esfera do Caos Editores. Livro para crianças e adultos, lançado em Portugal no passado mês de Abril, com o apoio da Fundação Calouste Gulbenkian .