Bispo de Aveiro no Dia da Igreja Diocesana: “Reunidos no Santuário de Santa Maria de Vagos sinto muito de perto a bênção materna de Nossa Senhora, a Mãe de Deus e nossa Mãe. Daqui irradia para toda a Igreja Diocesana a sua solicitude materna e a sua dedicação atenta, a que desde o início da Igreja sempre nos habituou”, afirmou D. António Francisco aos milhares de diocesanos que no Domingo acorreram ao santuário mariano.
O Bispo de Aveiro invocou a passagem do evangelho do dia, que falava de João Baptista (“A mão do Senhor estava com ele” Lc 1,66), para dizer à sua comunidade: “«A mão do Senhor está contigo, Igreja de Aveiro», desde as terras da Ria e do mar, aos campos e às serras, desde a proa de um navio, à oficina e à fábrica, à escola e à universidade”.
Em dia que significa o encerramento do ano apostólico, dedicado à família, D. António sublinhou que “o segredo da família humana é o amor, a fidelidade, a generosidade e a perseverança”, para acrescentar que o mesmo se passa com a família diocesana, feita do “amor filial a Deus” e do “amor fraterno do man-damento novo”, da “fidelidade e generosidade de tantas vidas dadas à Igreja e ao Mundo” e da “perseverança de quem permanece até ao fim”. “Esta é uma hora de gratidão devida aos bispos, sacerdotes, diáconos, consagrados e consagradas, leigos e leigas que ao longo do tempo, com generosidade e entrega ilimitadas, edificaram a Igreja que hoje somos”, proclamou.
D. António enviou 17 jovens em experiências missionárias não sem antes exortar os seus fiéis a serem presença cristã no mundo: “Pertence-nos tudo fazer para que (…) sejamos rosto e voz, palavra e vida de uma Igreja perita em humanidade, próxima e fraterna e corajosa mensageira das bem-aventuranças. Vemos no horizonte surgir oportunidades para darmos sentido a uma missão que envolva toda a diocese, consolide a beleza da nossa comunhão, intensifique o diálogo com a sociedade e com o mundo imenso da educação e do trabalho, da cultura e da cidadania que moram à nossa porta”.
Dinâmica de festa
Ao Correio do Vouga, o Bispo de Aveiro mostrou-se agradado “pelo grande sentido de participação” ao longo de todo o dia e louvou “a Igreja Diocesana de Aveiro por ter promovido já há muitos anos esta iniciativa” que é “simultaneamente o ponto de chegada do ano pastoral e o ponto de partida, com ânimo, entusiasmo e determinação do novo ano pastoral”. Tendo participado em outros “dias diocesanos” em recintos fechados, o Bispo de Aveiro realçou a “dinâmica de festa”, para a qual muito contribuiu o espaço do santuário.
O Pe João Gonçalves não quis comparar a adesão popular com anos anteriores, mas notou a “grande mobilização por parte dos movimentos apostólicos” (ver textos ao fundo). O vigário para a pastoral adiantou que a ideia é para continuar, prevendo-se no próximo ano, “uma grande amostragem de tudo quanto a diocese faz na área da pastoral social”.
ORAÇÃO DA MANHÃ
O dia começou com a oração da manhã. Neste primeiro momento, D. António Francisco realçou a importância de peregrinar: “Se aumentarem os peregrinos, aumenta o dinamismo da fé das nossas comunidades. Nossa Senhora orienta o caminho”. Actualizando o trecho de Evangelho que falava da perda e encontro de Jesus no templo de Jerusalém, o Bispo de Aveiro sublinhou que “ser peregrino no templo não quer dizer ficar no templo”. É necessário “voltar a casa, à terra, e fazer habitar na nossa casa o no nosso templo o que ouvimos do Senhor”.
Ainda na oração da manhã, o grupo de jovens Monte Horeb, de Vagos, encenou uma situação familiar. Nunca casa onde não há diálogo (os pais chegam tarde e stressados do trabalho; o filho prefere a playstation, o ipod, a Internet…), não há felicidade. Mas é possível lançar sementes de diálogo, alegria, partilha… que acabam por florescer. No final, o grupo distribuiu sementes reais pela assembleia.
LANÇAR SEMENTES
Durante todo o dia, os diversos grupos, movimentos e serviços diocesanos mostraram a quem por lá passou o que fazem, oferecendo folhetos de divulgação, cantando ou interpelando quem simplesmente passeava, como referiu Virgílio Freixo, do Movimento dos Cursilhos de Cristandade: “Os casais passam e a gente puxa-os para cá. São pequenas sementes que lançamos”.
Na tenda do Secretariado da Pastoral Juvenil, cantou-se, dançou-se e os mais destemidos puderam fazer um bocadinho de “rappel”, isto é, descer a alta velocidade de uma árvore para outra, dependurados num cabo. A actividade, típica dos desportos radicais, pretendia lembrar uma das etapas propostas por pelo Secretariado: o C_Radical. Porque ser cristão é, cada vez mais, uma opção radical.
Durante a tarde, o rancho folclórico de Nª Srª da Nazaré, de Nariz, e a recém-criada Fanfarra de Ouca animaram o recinto.
Ao longo de todo o dia os jovens do Renovamento Carismático criaram ambiente de oração no interior da igreja do Santuário.
ECCLESIA PRESENTE
No espaço do Caminho Neocatecumenal (grupo que dá especial relevo à vivência do Baptismo, foto principal), rezou-se, cantou-se e dançou-se. Na tenda do Seminário, apresentavam-se gráficos da evolução do número de seminaristas. Na tenda do Secretariado de Acção e Animação Missionária, até era possível comprar “merchandising” da Orbis – Cooperação e Desenvolvimento. Esta organização não governamental criada pelo SDAM para apoiar as actividades missionárias tem lápis Orbis, postais Orbis, pins Orbis… Toda uma linha de produtos bonitos e baratos para ajudar as missões.
Pelo recinto, pôde-se comer uma boa bifana e um caldo verde, quer no espaço montado pelo Movimento dos Cursilhos de Cristandade, quer na sede do Agrupamento de Vagos, por detrás do Santuário. Este tipo de serviço facilita a vida a quem não quer levar almoço e ajuda a financiar quem o proporciona.
O programa televisivo da Ecclesia também esteve em Vagos, entrevistando o Bispo de Aveiro e o vigário para a Pastoral, Pe João Gonçalves.
26 MOVIMENTOS E SERVIÇOS
No total estiveram representados 26 movimentos e serviços: Secretariado Diocesano do Ensino Religiosos nas Escolas; Sec. Dioc. da Catequese de Infância e Adolescência; Movimento dos Cursilhos de Cristandade; Instituto Superior de Ciências Religiosas de Aveiro; Renovamento Carismático Católico; Vida Ascendente; Movimento Esperança e Vida; Associação de Defesa e Apoio à Vida; Caminho Neocatecumenal; Preparação Remota para o Matrimónio; Sec. Dioc. da Pastoral Familiar; Movimento de Schoenstatt; Corpo Nacional de Escutas; Convívios Fraternos; Sec. Dioc. da Pastoral Juvenil; Juventude Mariana Vicentina; Juventude Operária Católica; Liga Operária Católica / Movimento de Trabalhadores Cristãos; Obra de Santa Zita; Capelania da Prisão e Voluntariado do Mundo Cigano; jornal diocesano Correio do Vouga; Livraria de Santa Joana; Serviço dos Ministros Extraordinários da Comunhão; e Sec. Dioc. de Acção e Animação Missionária/ORBIS, cooperação de desenvolvimento.
PARTILHA DE VIVÊNCIAS FAMILIARES
No final da manhã, houve espaço de partilha sobre vivências familiares. O ano pastoral, como é sabido, centrou-se na família. Numa conversa informal, o casal Belmiro Couto e Alexandrina, pais de três filhos, falou da importância de transmitir valores, como a solidariedade e a responsabilidade, e de ter tempo de qualidade para a família, por muito que as preocupações profissionais sejam absorventes (ele é empresário, ela é bancária). Partilharam, inclusive, que têm em casa um espaço onde rezam em família.
A Inês, de 15 anos, representou os mais novos, para quem estar no messenger (programa de conversação pela Internet) nunca é de mais. “Conversa-se com os amigos e poupa-se em telefone”, afirmou, reconhecendo, contudo, que isso não pode cortar o diálogo com os pais. A adolescente participa num grupo de jovens da paróquia da Glória, não só porque lá tem amigos, mas também porque se fala de temas e valores fundamentais.
Casada há menos de um mês, Liliana confessou que “tudo é novidade” no casamento e olha o futuro com esperança. A jovem conta com uma rede alargada de familiares e grupos ligados à Igreja (por onde passou ou em que está empenhada com o marido), para algum momento mais difícil.
A Sr.a Madalena tem cinco netos de sangue, mais algumas centenas: as crianças do Patronato de Vilar (Aveiro), que a tratam por “Avó Lena”. Ser avó, nos dias que correm, é fundamental, pela disponibilidade temporal e afectiva ou por ensinar as crianças a rezar, “mesmo quando elas só se riem”. “O riso das crianças agrada a Deus”, comentou Jorge Pires Ferreira, que moderou a conversa.
DIA NACIONAL DO CIGANO
Porque no domingo, 24 de Junho (dia de S. João Baptista), se celebrou pela primeira vez o Dia Nacional do Cigano, vale a pena anotar os números que a tenda do voluntariado da pastoral dos ciganos (funcionou em conjunto com a dos visitadores da prisão) apresentou. Em oito arciprestados da diocese (não há dados para Sever do Vouga e Vagos), vivem pelo menos 1300 ciganos, em acampamentos. Ílhavo tem 444 ciganos, seguindo-se Aveiro (cerca de 300) e Estarreja (225).
Num documento intitulado “A evangelização dos ciganos é uma missão de toda a Igreja”, Francisco Monteiro, director executivo da Obra Nacional da Pastoral dos Ciganos, notou que é necessário que “a Igreja em Portugal se proponha caminhar para a comunhão com as populações ciganas portuguesas e que estas, sentindo-se compreendidas e acolhidas pela Igreja Católica, colaborem na superação da distância que infelizmente ainda separa muitas delas de uma vida digna e plenamente participada na cidadania cigana e portuguesa”.
DESPEDIDA
Para algumas pessoas, este foi o último Dia da Igreja Diocesana. As Irmãs Margarida Romero, Maria dos Anjos Gutierrez e Angela Hernandez Congar, da Comunidade das Filhas de Cristo Rei, vão deixar a Murtosa. Já se haviam despedido da comunidade, onde viveram nove anos, e hoje mesmo deverão estar a caminho de Espanha, de onde são originárias.
A Ir. Maria dos Anjos, superiora, contou ao Correio do Vouga que a saída da Murtosa deve-se a uma reestruturação das obras e das comunidades, após um recente capítulo geral (reunião de todas as religiosas do instituto). Na Murtosa, ao longo de nove anos, as Irmãs trabalharam no centro social, nomeadamente no infantário, e na pastoral paroquial. As Irmãs pediram ao Correio do Vouga que fizesse chegar à Murtosa o agradecimento pelo acolhimento prestado, desejando que não se trate de um “adeus definitivo”, mas apenas um “até qualquer dia”.
