Direitos Humanos Outubro é Mês Missionário. Lembra-se o dever missionário da Igreja. Recordamos a nossa condição de missionários pelo Baptismo. Apela-se à Oração pelas vocações missionárias, em geral, e pela actividade dos Missionários Ad Gentes, em particular. Para quem não está muito familiarizado com a terminologia, Missão Ad Gentes outrora quis dizer missão “aos gentios” – a quem não professava a fé cristã. Posteriormente, alargou o seu sentido à missão nos povos ou grupos onde a Igreja “não está radicada.” Hoje, porém, a expressão está mais adequada ao trabalho de missionários que deixam as suas nações de origem e se deslocam para outros países, outros continentes, destinados a evangelizar.
Quis o Senhor que este Mês Missionário 2006 ditasse o meu retorno à Missão Ad Intra (expressão usada com o sentido oposto a Ad Gentes), aqui no Velho Continente.
Esse retorno nem sempre é um tempo fácil. Passamos por um período de “estranheza”, em que tudo nos parece “novo”. (Digo isto, mesmo sabendo que 19 meses de ausência em nada se comparam aos longos anos que muitos missionários passam sem regressar ao país de origem!). Não gosto de olhar para trás com saudosismo, mas o certo é que quem chega não consegue evitar olhar para trás e analisar o que foi feito. Porém, sinto que o que mais entristece num regresso da Missão Ad Gentes é a sensação de que “tanto ficou por fazer”.
Quando partilho experiências com voluntários de outras Organizações Não-Governamentais, tenho a sensação de que os projectos por eles desenvolvidos são localizados temporalmente, o mesmo é dizer que são desenvolvidos e têm um fim marcado. Na verdade, projectos na área da saúde ou de ajuda humanitária, muitas vezes têm como objectivo atender a necessidades ou a causas específicas, findas as quais os seus promotores podem regressar com a sensação da missão cumprida.
Vejamos um exemplo concreto de uma ONG para o Desenvolvimento, que desenvolve projectos de construção de casas numa determinada região. É óbvio que tratando-se, a maior parte das vezes, de países (ditos) em desenvolvimento, mesmo após o objectivo inicial ser atingido, outras necessidades surgirão. O facto é que, pelo menos o que estava programado, uma vez concretizado, pode ser tido como finalizado. E, após a construção de casas para a população, os resultados ficam visíveis.
No trabalho missionário a situação é completamente diferente.
A Evangelização não termina, nunca! Evangelizar é uma Missão permanente, porque deve atingir a estrutura social em que acontece. E os desafios são tanto maiores quanto enormes são, também, as mudanças que este nosso mundo tem que sofrer até que o Reino de Deus possa ser uma realidade já aqui na Terra. E o Missionário tem a perfeita consciência de que “missionar” é ajudar a transformar a sociedade, de modo a que os valores do Evangelho possam ser concretizados em todos os seres humanos. Trata-se, no fundo, de fazer acontecer o Plano de Felicidade que Deus tem para a Humanidade. E esse Plano não se concretiza de um dia para o outro.
Esta é a sensação que me fica, após este tempo de Missão, pois no trabalho com Direitos Humanos nunca se está satisfeito. Quando um Direito é conseguido, logo surge a necessidade de concretizar outro. Passo a passo, direito a direito, até que um outro Mundo seja Possível. Assim é a Missão Permanente.
E a realização dos Direitos Humanos é Plano de Deus; por isso, vai, também, acontecendo gradualmente.
Mas sobre algumas conquistas, e outros tantos desafios que fica(ra)m, conto partilhar convosco em próximas oportunidades.
