“A Paixão de Cristo”

Mel Gibson, actor e realizador, apresenta um filme

a que ninguém pode ficar indiferente

As 12 últimas horas da vida de Jesus Cristo deram corpo a um filme que está a ser polémico. Alguns judeus mais extremistas acusam Mel Gibson, o realizador assumidamente católico, de ter fomentado, com esta película, o anti-semitismo. No entanto, o rabino Daniel Lapin, um dos mais populares representantes da comunidade judaica norte-americana, declarou que os injustos ataque que o filme “A Paixão de Cristo” tem sofrido apenas desprestigiam os grupos contestatários. Por sua vez, D. John Patrick Foley, presidente do Pontifício Conselho para as Comunicações Sociais, afirmou que o filme não tem nada de anti-semita.

Esta obra de Gibson procura seguir os textos bíblicos com fidelidade, mas também é verdade que o realizador se serviu de algumas liberdades artísticas, como é habitual nestes domínios. Para isso, aproveitou as visões de duas freiras, a espanhola Maria Agreda, falecida em 1665, e a alemã Catherine Emmerich, que morreu em 1824. Tudo isto, porém, não desvaloriza o filme, porque não é possível encontrar qualquer versão cinematográfica totalmente fiel aos textos sagrados.

A sua primeira exibição ocorreu no dia 25, Quarta-Feira de Cinzas, início da Quaresma, nos Estados Unidos. Depois, foi apresentado no dia 1 de Março em Varsóvia. A 10 de Março está prevista a sua projecção no Santuário Mariano de Czestochowa, esperando-se que o realizador Mel Gibson esteja presente, nessa altura, na terra do Papa. Em Portugal, a sua estreia terá lugar a 11 do mesmo mês.

Nos Estados Unidos, um mês antes da apresentação de “A Paixão de Cristo”, todos os lugares das salas de cinema que o agendaram se esgotaram, o que indicia que o povo, cristão e não cristão, não ficou indiferente a mais um filme sobre a vida de quem marcou indelevelmente a história de há dois mil anos para cá.

“A Paixão de Cristo”, no dizer de abalizados críticos cinematográficos, emparceira com grandes filmes sobre a vida de Jesus Cristo, nomeadamente de Pier Paolo Paso-line e Franco Zeffirelli. E como sublinha Gibson, esta obra não pretende ofender seja quem for, porque, afinal, fomos todos nós quem matou Jesus Cristo.

A obra, com três horas de duração, procura seguir pari passu os textos evangélicos e é falado em latim e aramaico, a língua de Jesus. A intensidade das imagens e dos sons, no dizer dos críticos, prende desde o primeiro momento os espectadores, transcendendo “as barreiras da linguagem com cenas que contam a história por si mesma”, como frisa o realizador.

Jim Caviezel (Cristo) e Maia Morgenstern (Maria), entre outros actores, identificam-se com grande realismo com os papéis, participando em cenas que não podem deixar de impressionar fortemente os espectadores. Gibson justifica esse realismo, quando enfatiza a certeza de que Cristo foi de verdade violentamente flagelado. E acrescentou que este filme oferece imagens como ele próprio nunca viu no cinema.

O filme teve como cenários localidades italianas de Sassi de Matera e Craco, que foram completamente transformadas com muros, torres, as cruzes do Gólgota, casas, mercados e vestes de há dois mil anos. Tudo isto para filmar a Última Ceia, a prisão e o julgamento, o encontro com Pilatos, a crucifixão e a morte de Jesus Cristo, na tentativa de oferecer às cenas uma expressiva marca de realismo.

Trata-se, pelo que lemos e ouvimos, de um filme que pode ser visto por toda a gente, até porque foi feito para inspirar e não para ofender, como garante Mel Gibson, que ainda acrescenta: “A minha intenção, ao levá-lo às telas, foi criar uma obra de arte que fique e motive a reflexão nas audiências de diversos credos ou de nenhum, para quem a história seja familiar. Este é um filme sobre fé, esperança, amor e perdão, tão necessários nestes tempos turbulentos.”