A perspetiva e as bananas

Educação e Ambiente Ao longo da nossa mais ou menos longa existência, temos ocasião de enfrentar diversos desafios e experimentar sentimentos também eles diversos.

A experiência de caminhar sobre duas pernas e dois pés é, para a maioria de nós, algo adquirido. Banal. Podemos ser empáticos com alguém que apenas se consegue deslocar usando uma cadeira de rodas ou um andarilho; mas apenas isso. Só quando somos confrontados com uma situação inesperada, passageira ou definitiva, que afeta a nossa mobilidade pessoal, conseguimos adquirir um novo olhar. Uma outra perspetiva. Uma nova consciência.

Tomemos como exemplo a experiência de partir um pé. À partida, teremos que fazer radiografias, colocar gesso, aguardar umas semanas e, se tudo correr bem, voltamos a andar sem problemas. Outro exemplo: torcer (igualmente) um pé. Aqui, o desafio será parecido, embora o trabalho de “convencer” músculos e ligamentos a voltarem ao normal possa demorar um pouco mais. Em comum estes dois exemplos têm o factor limitação da mobilidade pessoal. De repente, no dia a dia, tarefas simples como cozinhar, tratar da higiene pessoal, subir/descer escadas ou ir às compras, tornam-se desafios bem maiores.

Adquirimos, no entanto, uma mais valia: a experiência de aprender a lidar com as situações e arranjar soluções.

Muitas vezes, nas questões ambientais, poderemos ter a ilusão de que “caminhamos sempre equilibrados”, sobre duas pernas e dois pés. E que será sempre assim. Necessitamos de fazer um grande esforço de imaginação para nos colocarmos num outro cenário.

Possivelmente a forma mais sensata de encararmos os desafios futuros será a de prevenir. Precaver danos maiores. Aplicar o Princípio da Precaução. Na analogia com os pés partidos/ torcidos ou outras limitações de mobilidade, significa tornar acessíveis todos os edifícios. Incluindo elevadores e corredores com largura suficiente para acolher uma cadeira de rodas, e as manobras necessárias. Significa, por exemplo, recolher os resíduos domésticos e industriais (o “lixo lá de casa” e o “lixo das fábricas”), tratá-los e dar-lhes destinos apropriados. Ao invés de varrer a areia para debaixo do tapete, aproveitando terrenos baldios para despejar resíduos de forma irresponsável e ilegal. Ou, a um outro nível, aderir ao fenómeno B.A.N.A.N.A. (do inglês “Build absolutely nothing anywhere near anyone”, ou seja, não construir absolutamente nada, em nenhum local, nem perto de ninguém) e, sem informação prévia, excluir determinantemente uma possível solução – por exemplo destinada ao tratamento ou encaminhamento de resíduos.

A terminar, aqui ficam duas sugestões:

– Denunciar situações ilegais, junto do Serviço da Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) da GNR, por telefone (808 200 520 – disponível 24 horas por dia), formulário* ou email (sepna@gnr.pt).

– Procurar informação acerca de temas suscetíveis junto de diversas fontes e, antes de tomar uma posição, pesar os prós e os contras.

*Disponível em: http://www.gnr.pt/portal/internet/sepna/12.denuncias/form_sepna.asp.