À Luz da Palavra – Domingo V da Páscoa Podemos resumir a mensagem da Palavra deste domingo ao amor. É a prática desta virtude teologal que define os discípulos e discípulas de Jesus, isto é, a sua capacidade de dar a vida até ao fim, por Jesus, presente em cada ser humano.
O evangelho situa-nos na última refeição de Jesus, na qual Ele entrega o seu mandamento novo, o do amor. Nem podia ser outro o mandamento de Jesus, já que Deus se revela no Amor, e Jesus, sendo a encarnação de Deus, participa da mesma essência, o Amor. Para nós é fácil pronunciar, repetindo em palavras, este mandamento do Senhor. Porém, o mesmo não podemos dizer face ao seu cumprimento. Passámos do egocentrismo infantil, mas fixamo-nos no culto de nós próprios, da nossa imagem e dos nossos direitos. Temos natural aversão a cedermos a favor dos outros. Contudo, Jesus afirma: “Nisto conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros”. Mas é só pela força do Espírito, que nós, discípulos do Senhor Jesus, conseguimos superar a limitação de um amor egoísta e carnal e nos lançar na aventura de um amor “agapé”, amando com o mesmo amor que nos vem de Deus, de modo a continuar a construção da nova comunidade instaurada por Jesus e a testemunhar ao mundo o amor materno e paterno de Deus.
A primeira leitura apresenta-nos o modo como viviam as primeiras comunidades e o seu empenho missionário. Os irmãos e irmãs dão testemunho do amor com que Deus os ama, ajudando-se e fortalecendo-se mutuamente, no meio das dificuldades e das crises por que vão passando. Paulo e Barnabé, incansáveis missionários, apoiam as comunidades que fundam, exortando-as a permanecer na fé no momento das tribulações, que são necessárias para entrar no Reino de Deus. Este texto interpela-nos hoje? Estamos nós, também, empenhados na missão de ir ao encontro dos mais fracos da nossa comunidade, para os apoiar e ajudar, dinamizados pelo amor de Deus, fortalecidos na oração? É urgente sair pelas ruas e proclamar, pelo testemunho e pela palavra, a todas as pessoas, grupos e instituições da nossa cidade, que é preciso quebrar as cadeias da injustiça, da opressão, da miséria e da violência; que os homens e as mulheres são todos iguais e têm os mesmos direitos; que dois terços da humanidade não podem continuar a ser explorados pelo terço restante; que os povos do terceiro e do quarto mundo já não aguentam mais o jugo que pesa sobre eles. É imperioso denunciar que não basta uma solidariedade em momentos de calamidade, para tranquilizar a consciência, mas que o amor cristão se vive a tempo inteiro.
O empenhamento cristão exige energia, lucidez e luta. Luta por “um novo céu e uma nova terra”, na visão do Apocalipse, apresentada na segunda leitura. Esta novidade do amor, começa aqui e agora, e é definitiva, no fim dos tempos, aí onde Deus enxugará as lágrimas dos nossos olhos.
Domingo V da Páscoa: Act 14,21b-27; Sl 144; Ap 21,1-5a; Jo 13,31-33a.34-35
Deolinda Serralheiro
