Saudação do presidente da República e primeiras palavras do Papa em Portugal
Os portugueses precisam de “mensagens de esperança” no meio da sua “sede de justiça e solidariedade” e dos “tempos de incerteza” que atravessam, afirmou ontem o presidente da República Aníbal Cavaco Silva, no discurso de boas-vindas a Bento XVI, no aeroporto de Figo Maduro, em Lisboa.
Nas palavras de saudação ao Papa, Cavaco Silva sublinhou que Portugal é um país “livre e plural”, que respeita a separação entre a Igreja e o Estado, mas que reconhece e agradece o “serviço inestimável” que a Igreja Católica presta à sociedade.
“Recebemo-Vos em tempos de incerteza que põem à prova a solidez das convicções e a força dos laços que unem as comunidades. Nestes momentos, os homens precisam de quem traga uma mensagem de esperança à sua sede de justiça e de solidariedade”, sublinhou.
O presidente da República destacou a necessidade de solidariedade para combater os “efeitos de uma crise económica” com incidência “tantas vezes de forma brutal e injusta”. Cavaco Silva referiu-se à solidariedade, o valor que distingue “os homens de bem, independentemente da sua Fé” e que está na base “do extraordinário projecto de paz e de desenvolvimento que é a construção da unidade europeia”.
Bento XVI, por seu turno, evocou as comemorações do Centenário da República portuguesa no primeiro discurso que proferiu em território nacional, ainda no Aeroporto de Lisboa, sublinhando a importância da colaboração entre Igreja e Estado.
“A viragem republicana, operada há cem anos, abriu na distinção entre a Igreja e o Estado, um espaço novo de liberdade para a Igreja”, disse o Papa.
Bento XVI evocou as Concordatas de 1940 e 2004, afirmando que “a Igreja está aberta a colaborar com quem não marginaliza nem privatiza a essencial consideração do sentido humano da vida”. “De uma visão sábia sobre a vida e sobre o mundo deriva o ordenamento justo da sociedade”, disse.
Sem aludir a nenhuma das recentes mudanças legislativas no nosso país que têm sido contestadas pela Igreja, o Papa destacou que na intervenção pública dos católicos “não se trata de um confronto ético entre um sistema laico e um sistema religioso”.
Em causa, observa, está “uma questão de sentido à qual se entrega à própria liberdade”.
Após agradecer o acolhimento recebido, Bento XVI revelou: “Só agora me foi possível aceder aos amáveis convites do Senhor Presidente e dos meus irmãos Bispos para visitar esta amada e antiga Nação, que comemora no corrente ano um século da proclamação da República”.
O Papa dirigiu-se a seguir para o largo do Mosteiro dos Jerónimos, onde decorreu a cerimónia oficial de boas-vindas e visitou o monumento nacional. Pelas 18h15, já depois do fecho desta edição, presidiu à Eucaristia no Terreiro do Paço.
J.P.F.
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