A sabedoria toma a iniciativa

À Luz da Palavra – XXXII Domingo do Tempo Comum – A A liturgia deste domingo fala-nos de “sabedoria” e, nesse contexto, convida-nos à vigilância. Interpela-nos no sentido de criarmos em nós um espaço interior, feito de silêncio e de escuta, para percebermos os apelos de Deus, em ordem às opções quotidianas sobre a nossa vida. As “desgraças”, de que somos vítimas, são muitas vezes a consequência de uma vida irreflectida, jogada ao acaso, vivida sem sabedoria.

A primeira leitura faz um elogio da própria sabedoria e sublinha a sua origem, a sua natureza, as suas qualidades, os seus dons e a sua acção cósmica. Nesta leitura, a sabedoria é descrita como uma pessoa que se põe em movimento, tendo como referência o movimento das pessoas que vêm na sua direcção. É a sabedoria que toma a iniciativa, se adianta à acção da própria pessoa, procurando elevá-la. O autor sagrado afirma que a sabedoria é mais do que um corpo de doutrina; Ele identifica-a com Deus, que solicita o ser humano e se lhe quer dar a conhecer. A sabedoria, sendo um dom gratuito e incondicional de Deus, é um caso paradigmático da forma como Deus se preocupa com a nossa felicidade e põe à disposição dos seus filhos e filhas a fonte de onde jorra a vida definitiva. A nós resta-nos estar atentos, vigilantes e disponíveis, para acolher, em cada instante, a vida e a salvação que Deus nos oferece.

No evangelho, Mateus apresenta-nos mais uma parábola de Jesus, que ilustra dois tipos de pessoas: as que se deixam conduzir pela sabedoria e as que se subtraem à sua influência. As primeiras são prudentes e tomam as melhores opções; as segundas vivem ao sabor da corrente da vida, são insensatas e recolhem desilusões sobre desilusões. Assim como as virgens prudentes não puderam repartir com as outras do “seu azeite”, também uma pessoa sábia, não pode transmitir a sabedoria a outra pessoa, que não a procure atempadamente. O texto lembra-nos que “estar preparado” para acolher o Senhor que vem significa viver no dia-a-dia a fidelidade aos ensinamentos de Jesus e o compromisso com os valores do Evangelho, pois só estes nos asseguram a participação no banquete do Reino.

Na segunda leitura, Paulo aviva a nossa compreensão sobre as coisas do fim dos tempos, garantindo aos cristãos de Tessalónica que Cristo virá de novo para concluir a história humana e para inaugurar a realidade do mundo definitivo, para que eles não vivam contristados como os outros, que não têm fé nem esperança.Todo aquele que tiver aderido a Jesus e se tiver identificado com Ele irá ao encontro do Senhor e permanecerá com Ele para sempre. Temos, ainda, vivo o memorial dos defuntos, daqueles que nos precederam e estão já na glória de Deus, ou ainda vivem em estado de purificação. Nesta crença, todos partilhámos os mesmos sentimentos e realizámos os mesmos rituais, elevando, simultaneamente, preces e súplicas a Deus, para que eles repousem em paz e possam contemplar o mais breve possível a glória divina. Todos aspiramos a que o epílogo da nossa vida seja feliz, bem sucedido; por isso é indispensável aprender a viver na sabedoria e na vigilância.

Leituras do XXXII Domingo Comum

Sb 6,12-16; Sl 63 (62), 2-8; 1 Tes 4,13-18; Mt 25,1-13

Deolinda Serralheiro