Estamos a viver, até ao dia 25 de Janeiro, a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, por proposta, em 1908, de Paul Watson. Ligando a Semana às festas de S. Pedro e S. Paulo, quis atribuir-lhe um sentido simbólico, numa perspectiva de sensibilizar para a unidade todos os que aceitam Jesus Cristo como único salvador.
Em boa verdade, a oração para a unidade dos cristãos não pode ficar reduzida apenas a uma semana, mas deve estender-se por todo o ano e por todos os anos, até se descobrirem caminhos concretos de aproximação e de convergência na acção do dia-a-dia.
Enquanto a unidade plena não acontece, pelas convicções de uns e pelo orgulho de outros, causa de escândalo em todo o mundo, urge apostar na descoberta de oportunidades que expressem uma comunhão visível nas tarefas e nas inquietações quotidianas das diversas comunidades cristãs, seguindo a conhecida expressão dos primeiros tempos que dizia “vede como eles se amam”.
Em vez de andarmos orgulhosos a lutar isolados por um mundo melhor, seria bom que experimentássemos formas de participação comuns, quer em tarefas sociocaritativas e culturais, quer de reflexão e de oração em tempos marcantes do ano litúrgico, quer, ainda, na defesa de princípios e valores que enformaram a civilização cristã e que estão, presentemente, em risco.
Somente preocupados com uma Semana de Oração, sabe-nos a pouco e indicia continuarmos na mesma até ao fim dos tempos.
O Presidente as República tem falado bastante nos últimos tempos. Razões para isso não lhe têm faltado. E o mais curioso é que, diga ele o que disser, recebe sempre a concordância dos diversos partidos, desde os do Governo aos das oposições, o que mostra um certo respeito pelo mais alto magistrado da Nação ou, então, alguma hipocrisia.
Desta feita, em mensagem dirigida à Assembleia da República, onde o povo português está representado nas suas variadas opções políticas e sociais, Jorge Sampaio abordou o assunto mais quente das inquietações de toda a gente, ou seja, a situação económica e financeira. E sobre esta alínea, foi claro: “A solidez das finanças públicas justifica-se pela necessidade de dar continuidade e coerência à construção de um sistema de protecção social capaz de atenuar grandes vulnerabilidades e riscos de exclusão em amplas camadas da sociedade portuguesa.”
Ao abordar a questão sempre polémica do Orçamento do Estado, Jorge Sampaio também quis deixar um recado bastante forte e oportuno: “As recriminações partidárias recíprocas sobre a gestão orçamental passada e presente, para além de gerarem expectativas negativas que em nada ajudam a economia e as empresas, contribuem para deteriorar o ambiente propício à discussão dos problemas de fundo e para reduzir as possibilidades de concertação quanto às medidas apropriadas.”
Dois recados bastante pertinentes.
