Desabituados que estávamos à situação de país de imigrantes, temos enfrentado algumas dificuldades com a entrada em Portugal de estrangeiros que aqui procuram uma vida melhor. Talvez por isso, a regulamentação das leis de imigração custou tanto a sair e mesmo assim não agradou a muitos (ver página 7). Agora, há que pô-la em prática e humanizá-la, no respeito pela nossa vocação de alguma forma universalista e multicultural.
Portugal e os portugueses precisam dos imigrantes. Eles aceitam trabalhos que os nossos concidadãos há muito rejeitam; eles podem estar na base do equilíbrio da Segurança Social, quase sem dinheiro para pagar reformas; eles contribuem para o rejuvenescimento da nossa sociedade, cada vez mais envelhecida; eles garantem, com os seus hábitos e tradições, o enriquecimento cultural do nosso povo.
Sendo assim, há que apostar, a todos os níveis, na sua integração plena, sem menosprezo pela sua cultura, contribuindo para o reagrupamento familiar de todos eles. Mas também se torna urgente combater, com dureza, os traficantes mafiosos que os perseguem, os empresários que os exploram ignobilmente, os xenófobos que os provocam e os racistas capazes dos maiores crimes.
No fundo, e como tantas vezes já aqui temos escrito, temos de tratar os imigrantes como cidadãos da aldeia global comum que todos habitamos, tal como gostamos que tratem os nossos emigrantes em qualquer canto do mundo.
Não tem sido muito frequente viver-se o optimismo na sociedade portuguesa. Em todos os quadrantes, mas mesmo em todos os quadrantes, enfatiza-se sobremaneira o que está mal, mostra-se o negativo da vida, prega-se o caos por todos os lados. E de tudo isso se dá conta na comunicação social, com artigos e imagens derrotistas, nas conversas de amigo, enfim, a toda a hora se ouve, vê e diz que o bem, o bom e o belo emigraram do nosso País.
Sendo certo que o errado deve ser denunciado, numa perspectiva de construirmos uma sociedade mais justa, a verdade é que já é tempo de optarmos pelo lado positivo da vida, cultivando a auto-estima, estimulando os mais frágeis, incitando os mais tímidos a avançarem na linha do progresso. E para isso, nada melhor do que mostrar até à saciedade o que de bom e belo há entre nós, e muito é, valha a verdade, como tanto sublinhou o Presidente da República de visita à nossa região (ver página 8).
Assim, apetece-nos, aqui e agora, decretar guerra ao pessimismo, ao conformismo e às opções negativas, que em nada contribuem para a felicidade das pessoas. Urge apostar na alegria, na valorização do bom, no cultivo da solidariedade, na descoberta de novos caminhos que conduzam ao bem-estar.
Afinal, o futuro só está ao alcance dos que acreditam nele e no esforço pessoal e colectivo de todos, vivido com optimismo, com um sorriso nos lábios e com determinação.
