A cordialidade era de tal modo notória na Assembleia da República, entre as bancadas do PSD e do PS, com o Governo a assistir, que chegámos a convencer-nos de que era desta vez que os políticos se entendiam para rubricar um pacto de regime em nome do saneamento das contas públicas. Pura ilusão. Pouco tempo depois, o PS mostrou quanto anda baralhado, com guerras abertas no seu próprio seio, que em nada contribuem para o bem do País e dos portugueses.
O Presidente da República, Jorge Sampaio, há muito que vem apelando ao entendimento entre os dois maiores partidos, em questões essenciais, razão fundamental para Portugal sair da posição de impasse que todos sentem, sobretudo os que trabalham por conta de outrem, aposentados e, ainda, os de mais baixos recursos. Porém, ainda não foi desta que tal aconteceu.
Com o PS a dizer não ao acordo, o que os portugueses de bom senso não compreenderão, mais uma vez ficaremos a sofrer as consequências de um clima de guerra aberta entre o Governo e o PSD, por um lado, e o PS e restante oposição, por outro.
Claro que a maioria parlamentar ratificou o Programa de Estabilidade e Crescimento, que o Governo enviou para Bruxelas e que contempla algumas propostas do PS, mas é triste verificar como, em assuntos tão sensíveis, os nossos políticos não são capazes de cooperar.
Afinal, os apelos do Presidente da República, normalmente oportunos, continuam a cair em saco roto. É pena, em nossa opinião.
Por esta e por outras razões, têm vindo ao de cima manifestações de alguma nostalgia em relação ao passado, mesmo de gente com obrigações de saber distinguir um regime ditatorial de um regime democrático. E até não falta quem vá dizendo, à chucha calada, que o melhor seria juntarmo-nos à Espanha, já que ela não cessa de nos colonizar sob o ponto de vista económico, e não só.
Ora, pensamos que não é com lamúrias e com recordações de um passado triste, que só foi bom para os que estavam bem na vida e sem ideias de progresso e de justiça social, que resolvemos os nossos problemas. O que é importante é assumirmos, no dia-a-dia e nas horas próprias, a defesa dos valores e interesses pátrios, sem complexos de inferioridade e sem receios, mas com orgulho do nosso passado de história riquíssima, que nunca se vergou ao poderia de quem quer que fosse.
Há países bem mais pequenos do que o nosso, com recursos diminutos, quer a nível económico quer demográfico, que nunca menosprezaram as suas capacidades e potencialidades, antes delas vão tirando o máximo proveito para o bem das suas gentes. Portugal, perfeitamente integrado na Europa e com ligações privilegiadas com povos de outros continentes, tem de continuar a acreditar em si próprio, na força e na inteligência do seu povo. Mas também tem de educar as actuais e novas gerações para que assumam sempre um são patriotismo, com orgulho.
