A Semana

Quinze anos depois da queda do Muro de Berlim, a Europa está mais unida com a entrada de mais dez países para a UE. Afugentados que foram alguns fantasmas criados pela guerra fria e vencidos que estão imensos obstáculos que décadas de isolacionismo e de opressão ideológica criaram e que coarctavam elementares direitos de liberdade, eis chegado o momento de milhões de europeus poderem viver o futuro de mãos dadas, à margem de nacionalismos retrógrados.

No sábado, 1 de Maio, pelas 0 horas, o velho continente festejou a entrada da Polónia, Lituânia, Letónia, Estónia, República Checa, Eslováquia, Hungria, Eslovénia, Malta e Chipre na UE, como mais um passo significativo para a aproximação dos povos que têm como matriz fundamental o cristianismo.

Com a UE alargada e receptiva à construção de uma sociedade mais justa e fraterna, todos os europeus podem olhar, agora, para a frente, com mais optimismo, na esperança de que haverá mais democracia, mais respeito pelos direitos humanos, mais economia de mercado, mais prosperidade, mais estabilidade, mais solidariedade, mais intercâmbios culturais e técnico-científicos e, sobretudo, muito mais paz. No entanto, há enormes desafios a vencer, nomeadamente o desemprego, a insegurança e a imigração, bem como será preciso resolver problemas do ambiente, da educação e da saúde, entre outros.

São 455 milhões de habitantes na UE, dos quais 263 milhões são católicos, que se exprimem em 20 línguas diferentes e que, na sua grande maioria, rejubilam por poderem partilhar um destino comum, apesar das dificuldades que têm de ajudar a vencer, para que nenhuma carruagem do comboio da Europa fique para trás.

E Portugal? Que consequências trará o alargamento para o nosso País? De um lado, os cépticos, os Velhos do Restelo; do outro, os optimistas, para quem tudo são facilidades.

É sabido que ficaremos mais longe do centro da Europa, onde tudo se decide e onde a economia tem horizontes mais largos. É sabido que no confronto com os novos Estados-membros ficaremos a perder, tanto por terem mão-de-obra mais barata como por possuírem graus de escolaridade mais elevados. Produzem a custos mais baixos e eventualmente melhor do que nós, pelo que poderão colocar nos mercados produtos mais competitivos. Ainda ficarão com a maior fatia dos fundos estruturais, tal como aconteceu connosco quando aderimos à UE.

Contudo, também é certo que tudo isso pode estimular os nossos empresários a desafiarem o futuro, modernizando-se e apostando na competitividade e na produtividade, mas também na criatividade. Há já empresas portuguesas a operar nesses países, o que prova à evidência que nos podemos estender para além das nossas fronteiras, como tantos outros fazem. E do Estado português se espera o incentivo a novas e mais competitivas empresas, o fim de burocracias anquilosantes e o apoio à formação contínua dos empresários e trabalhadores.

Além disso, há o turismo que podemos desenvolver, porque condições ideais não nos faltam, e há as ligações históricas aos países lusófonos, que não deixarão de ser uma mais-valia para a economia portuguesa. Mas também não nos falta o espírito de aventura que é uma marca da nossa identidade.