A Semana

Gostaríamos, sinceramente, que o entusiasmo manifestado pelos portugueses, quase na generalidade, em torno da selecção nacional de futebol, se transferisse para outras sectores da vida. Mas temos receio de que, depois da onda de euforia contagiante que nos envolveu, esse entusiasmo se esvaia e voltemos de novo a cair numa indiferença atroz perante os problemas que nos inquietam, neste nosso país em busca de novos rumos.

A crise política que estamos a viver, com a saída de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia, não estará a ser sentida pela maioria dos portugueses, que nem tempo têm tido para ver bem que estamos perante um problema complexo. E se é verdade que muitos, como nós, consideraram uma honra para Portugal a escolha do nosso primeiro-ministro para um alto cargo da UE, também é sabido que outros não viram com bons olhos essa sua decisão, pelas implicações que daí adviriam para o Governo português.

A perspectiva do ainda presidente da Câmara de Lisboa, Pedro Santana Lopes, ascender ao lugar de primeiro-ministro, por inerência do cargo de presidente do PSD que passou a ocupar, gerou um clima de protestos em todos os partidos, inclusive do seu próprio, onde alguns sociais-democratas e companheiros partidários se mostraram contrários à sua escolha para chefe do Governo.

Perante isto, o Presidente da República, Jorge Sampaio, não tem facilitada a tarefa de nomear um novo primeiro-ministro sem eleições antecipadas, que todos os responsáveis das oposições reclamam, de mãos dadas com personalidades da nossa cena política. E a crise está instalada, o que será mais um grande obstáculo à estabilidade por que todos aspiramos.

Deixando para outros a análise aos resultados desportivos (não) alcançados pela selecção portuguesa no EURO 2004, pensamos que é oportuno sublinhar os aspectos culturais e turísticos que envolveram os jogos. Com festas um pouco por todo o lado, que deram vida a uma certa e normal monotonia que nos tem caracterizado, os portugueses puderam usufruir, ainda, do contacto com outros povos e culturas, que hão-de deixar marcas que perdurarão por muitos anos.

Portugal foi divulgado em todo o mundo graças ao espectáculo do futebol, através de reportagem difundidas por mais de oito mil jornalistas, que projectaram as nossas paisagens, os nossos monumentos, as nossas cidades e praias, a nossa gastronomia e os nossos usos e costumes em todos os cantos da Terra. Mais do que isso, certamente, mostraram a hospitalidade dos portugueses, a alegria e a gentileza com que recebemos os adeptos das equipas envolvidas no torneio e quantos, por causa do futebol, também vieram conhecer o nosso país durante quase um mês.

Muitos dos que por cá andaram, porque os recebemos bem, hão-de voltar para outras visitas ou férias, ajudando no desenvolvimento do turismo e de tudo quanto lhe está ligado, ou não tenha esta indústria um peso significativo no crescimento económico de Portugal, por força das suas potencialidades naturais favoráveis ao lazer, num clima de tranquilidade sobejamente conhecido.