A Semana

Cada vez mais sentimos que toda a vida portuguesa rola ao sabor dos apetites da comunicação social. Quando não há assuntos que saltem à vista, não faltam os média com capacidade para criar factos políticos ou outros, normalmente ao sabor dos seus interesses de sobrevivência económica.

Portugal tem andado a viver obcecado com os casos de pedofilia da Casa Pia, que alimentam páginas e páginas de análises, notícias, pseudonotícias, e reportagens televisivas e radiofónicas. Tudo tem girado em torno disso, mas quando os fogos florestais explodiram, o rumo dos acontecimentos mediatizáveis mudou. Este tema, de facto, dominou tudo e todos. Não era para menos.

Terminados os fogos, voltámos à questão que faz vender jornais, ouvir rádio e ver televisão. Sucedem-se as reportagens, ampliam-se notícias já divulgadas até à exaustão, repetem-se imagens um sem-número de vezes e criam-se suspeitas que geram juízos temerários. Estamos de novo no caos informativo sobre a Casa Pia. Até parece que neste País nunca houve abuso de menores e taras sexuais.

O que acontece é que falar de gente mediática, eventualmente envolvida no processo da pedofilia, vai sempre ao encontro da curiosidade mórbida de certa gente, que alguns média necessitam de explorar para atraírem leitores, ouvintes e telespectadores. Pena é que não tenhamos a coragem de repudiar esse tipo de jornalismo.

No Verão, não há povoação mais ou menos importante que não tenha a sua feira gastronómica. É assim quase por todo o País. Autarquias, instituições culturais, sociais e recreativas, comunidades paroquiais e unidades hoteleiras agarram-se todos ao que Portugal tem de genuíno, como a sua alimentação, para oferecer, em clima de festa, aos turistas e simples visitantes de fim-de-semana.

Pelo que temos visto, não faltam clientes. Há feiras gastronómicas que não têm mãos a medir, tantos são os interessados em busca dos prazeres oferecidos pelos tradicionais petiscos que vêm dos nossos avoengos. E pelo que sabemos, há quem faça quilómetros e mais quilómetros para degustar receitas quase a serem engolidas pela “fast food” tão própria da vida apressada que levamos, quantas vezes sem gosto que preste.

Hoje, e aqui, sentimos ser nossa obrigação apoiar quem ousa apostar na preservação da nossa identidade, onde cabe, com todas as honras, a gastronomia, que vem, com sabores ancestrais, de quantos nos precederam. Contudo, é bom não esquecer que a nossa identidade, em risco de se diluir no seio de uma Europa economicista e caoticamente liberal, não se pode resumir ao que de bom se come e bebe entre nós.